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“Uma Igreja em boa ordem cultua com ordem e decência” (Parte 3)

No último número do nosso jornal, dando sequência às nossas considerações sobre o fato de que Uma Igreja em Boa Ordem Cultua com Ordem e Decência, falamos so­bre as partes que compõe o culto e comentamos as pri­meiras delas. Prosseguiremos agora falando a respeito de outra das partes do culto, a música.

1.4. O Lugar da Música no Culto Público

Qual o propósito da música no culto? Por certo não é agradar pessoas, promover entretenimento ou preen­cher espaços na liturgia. A música tem como objetivo render a Deus ação de graças e louvar; tem como obje­tivo também o de instruir o povo de Deus; serve ainda ao propósito de preparar o povo de Deus para o ponto alto do culto que é a pregação e depois dela responder a Deus pela Palavra recebida.

Estas coisas mostram tanto a importância da letra quan­to da melodia. As palavras vêm em primeiro lugar – elas são mais importantes que a melodia. Não há nada que seja tão fatal como entoar a melodia somente, sem dar atenção às palavras. Quanto a esta questão Agostinho disse o seguinte:

“Assim flutuo entre o perigo do prazer e os salutares efei­tos que a experiência nos mostra. Portanto, sem proferir uma sentença irrevogável, inclino-me a aprovar o costu­me de cantar na igreja, para que, pelos deleites do ouvido, o espírito, demasiado fraco, se eleve até aos afetos da pie­dade. Quando, às vezes, a música me sensibiliza mais do que as letras que se cantam, confesso com dor que pequei. Neste caso, por castigo, preferiria não ouvir cantar.”

Calvino disse que se impõe a nós guardar que não este­jam nossos ouvidos mais atentos à melodia que a mente ao sentido espiritual das palavras.

De acordo com o que foi posto até aqui podemos dizer que a música exerce dois papéis no culto o de impressão e o de expressão. O primeiro se refere mais à melodia e o segundo à letra.

Como impressão a música tem o propósito de criar um ambiente próprio. Pesquisas mostram que a música in­fluencia a fisiologia humana, mexe com as emoções tan­to positiva quanto negativamente. Pesquisas mostram ainda que a música exerce influência até mesmo sobre plantas. Se afeta plantas, muito mais seres humanos.

Dorothy Retallack de Denver, Colorado, realizou vários experimentos para demonstrar os efeitos da música nas plantas. Ela variou o tom, o número de horas por dia, e tipos de música. Ela relatou que quando ela toca­va rock as plantas se afastavam do autofalante e, depois de algumas semanas, elas morriam. Quando ela tocava música suave, erudita, música do Norte da Índia ou mú­sica clássica, as plantas viravam-se em direção ao auto­falante e tornavam-se mais bonitas e vivas.

Em suas pesquisas na Faculdade Temple Buel, Retallack executou uma série de experimentos com milho, abóbo­ras, petúnias, zínias e malmequeres. A música rock ou fazia com que as plantas a princípio crescessem muito, de forma anormal e com muito poucas folhas ou per­manecessem mirradas. Dentro de duas semanas todos os malmequeres haviam morrido, mas a apenas dois metros de distância malmequeres idênticos, desfrutan­do dos sons clássicos, estavam florescendo. Ainda mais interessante, a Sra. Retallack descobriu que as plantas estimuladas pelo rock estavam usando muito mais água do que a vegetação que era entretida pela música clássi­ca, mas aparentemente tirava menos proveito disso, uma vez que o exame das raízes no décimo oitavo dia revelou que o seu crescimento no solo era pequeno no primeiro grupo enquanto que no segundo grupo elas eram gros­sas, curvadas e cerca de quatro vezes mais longas.

Recentemente a BBC Brasil publicou pesquisa realizada por coreanos apontando resultados semelhantes como pode ser visto no link a seguir:

(https://www.bbc.com/portuguese/reporterbbc/story/2007/08/070830_falarcomplantas_fp.shtml).

Em seu papel de impressão a música pode, portanto, ser benéfica ou maléfica. Para que seja benéfica é preciso que haja um bom casamento entre a música e a letra. Isto nos leva ao segundo papel da música que é o de ex­pressão. Por exemplo: Quando a letra fala da majestade, do poder e da glória de Deus deve ser acompanhada de uma música majestosa; quando a letra fala do pecado deve ser acompanhada de uma música que manifeste a contrição. Um exemplo de mau casamento está na mú­sica “Oh! vós que passais pela cruz do calvário.”…! Esta música, na verdade é do hino “Oh! vinde fiéis, triunfan­tes alegres”. Esta música é majestosa, vibrante, grande etc. Ela se encaixa bem neste hino, mas nada naquele e neste caso a comunicação é vazia.

Música só expressa o texto quando vem com ele, quan­do a música diz a mesma coisa. Aliás, essa é a função mais importante da música no culto: ser subsídio para a Palavra. Se ela não tem essa função, é show e não tem lugar no culto.

Podemos dizer que existe sempre uma única música certa para aquele específico lugar no culto. A músi­ca tem que ser subsídio para a Palavra; se não for, ela estará fora do contexto. A música não serve para abri­lhantar o culto uma vez que o culto não é uma festinha de aniversário. Infelizmente alguns confundem culto com festa. No AT era mais fácil diferenciar culto de fes­ta já que existiam festas religiosas e momentos de ado­ração e sacrifício. A festa era horizontal, era a hora de se alegrar no Senhor, era a hora dos instrumentos, das danças, dos cânticos. Mas o culto sacrificial nem alegre era. Hoje as coisas têm sido misturadas, confunde-se os mandatos cultural e espiritual. O argumento para isso muitas vezes é: “a gente precisa manter os jovens na Igreja, os cultos precisam ser atraentes”. Se a Pala­vra não for suficiente para manter as pessoas na Igreja, então é melhor que não fiquem. Fomos chamados para pastorear ovelhas e não para entreter bodes.

Vê-se a importância dos papéis da música de expressão e impressão no impacto que a música causa no homem. Cada elemento diferente da música mexe com uma par­te diferente do nosso organismo de modo que somos in­tegralmente atingidos, quer queiramos quer não, quer estejamos ouvindo ou não. Segundo os estudiosos da área a música consegue ser ouvida epidermicamente. Como líderes, temos a obrigação de analisar cuidado­samente os textos das músicas que vão ser cantados. Estamos, muitas vezes, cantando coisas em que nem sempre acreditamos. Seja como for, a música tem que estar assessorando a Palavra. Ela só tem utilidade ali. Infelizmente a música nem sempre é usada com este propósito, ou seja, com o propósito de subsidiar os tex­tos ou para dar a expressão adequada àquele momento de culto. A música, por vezes é uma espécie de descanso entre o que está acontecendo no culto. Por exemplo: Na liturgia há uma oração e uma leitura e, então, é preciso haver um hino. Qual? Qualquer um, basta que seja um hino? É muito comum usar-se a hora do cântico para que os atrasados entrem no templo ou porque o prega­dor está atrasado.

Portanto, no culto tem que haver o hino certo no lugar certo. É preciso que o líder tenha um trabalho conscien­te na escolha do que se vai cantar e em que momento do culto se vai cantar. Isso exige trabalho e leitura cuida­dosa, logo, vai custar tempo.

Deus nos permitindo prosseguiremos tratando deste im­portante assunto no próximo número do nosso jornal.

Por, Rev. Welerson Alves Duarte (Presidente da Assembleia Geral e Pastor da Igreja de São Bernardo do Campo – SP)