“Servos de Deus ou filhos da sanguessuga?”

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“Servos de Deus ou filhos da sanguessuga?”

A facilidade de adquirir conhecimento não dispensa a dedicação. Em Eclesiastes 1.12 a determinação é destacada como recurso indispensável ao currículo dos sábios. Salomão não esconde seu empenho para entender o que acontece “debaixo do céu”. Em virtude disto, seus Textos Sagrados estão cheios de comparações entre a conduta humana e o instinto dos irracionais. Dentre as tantas criaturas mencionadas em Provérbios, a sanguessuga não passou despercebida. No capítulo 30.15 o escritor sagrado toma o pequeno anelídeo como exemplo dalguém que só diz: “Dá, Dá”. Para *Gilberto Stam “…a especialidade desse verme é justamente chupar o sangue de seus hospedeiros sem causar desconforto…”.

Uma das duas coisas pedidas por Agur em Provérbios 30.7-9 é que a sua integridade para com Deus seja preservada, quer na pobreza ou na riqueza. O contentamento dos versos 7 a 9 contrasta com a ambição do verso 15. Infelizmente, nem mesmo no Éden o ser humano sentiu-se realizado; na ambição de ser igual a Deus cedeu-se à tentação. Passou o tempo e a humanidade manteve o vocabulário! Pedir, tem sido tema às pessoas. Nem precisa muito esforço para concluir que os pedidos ocupam a maior parte das orações. Pior ainda que, além de pedir, a murmuração vira coro quando não se entende a resposta de Deus.

A ambição gera o descontentamento, uma vez que ela jamais diz basta. A expressão “dá, dá” aponta a insaciabilidade do ser humano. O desejo de sempre querer mais, priva as pessoas do agradecimento. Um coração seduzido pela ganância não considera as consequências de suas demandas. Judas traiu Jesus, o Filho de Deus, por algumas moedas! É lamentável como isto ainda continua acontecendo no meio cristão. No Éden o primeiro homem, Adão, quis ser igual a Deus, isto não mudou com o tempo, seus descendentes ainda alimentam as mesmas pretensões.

Servos de Deus ou filhos da sanguessuga? Paulo se intitula em Romanos 1.1 como servo de Jesus Cristo. Nesta qualidade ele aprendeu a “…viver contente em toda e qualquer situação”, conforme Filipense 4.11. O próprio Cristo disse que veio para “servir” e, o fez em obediência “…até à morte, e morte de cruz”. Nos exemplos citados fica evidente que o servo se doa e os filhos da sanguessuga buscam os próprios interesses.

Afirmar que o “pedir” na Igreja atual é bem mais que o “agradecer” pode até ser motivo de contestação, no entanto, negar tal fato é lutar contra as evidências. Quem só pede não encontra tempo para agradecer. O descontentamento ofusca o louvor e realça a murmuração. “Disse uma vez que louvaria sim/Em prazer ou mesmo em dias maus/E o que me fez chorar foi perceber, Senhor/Que o meu murmurar/Foi mais que o meu louvor”. Que esta sinceridade da Denise Cardoso motive os servos de Deus a trocar o “dá, dá” pelo “Ebenézer”.

Que o Senhor Jesus conceda um ótimo dia a você e toda a sua família.

Rev. Reginaldo Naves