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POSICIONAMENTO DA IGREJA PRESBITERIANA CONSERVADORA DO BRASIL EM RELAÇÃO A ESQUERDA

“POSICIONAMENTO DA IGREJA PRESBITERIANA CONSERVADORA DO BRASIL EM RELAÇÃO A ESQUERDA”

Na reunião da Assembleia Geral da Igreja Pres­biteriana Conservadora do Brasil, em 2017, Ce­sário Lange-SP, o concilio recebeu uma propos­ta e a mesma foi aprovada, o qual consistia em que a denominação se posicionasse em relação a ideologia política de esquerda, por ser con­siderada incompatível com a fé cristã em seus ideais. Consideraram-se os desafios atuais em nossa cultura e a necessidade de uma resposta bíblica a estes desafios.

Para a nossa denominação a única regra de fé e prática é a Escritura. A IPCB adota como símbo­los de fé a Confissão de Fé de Westminster e seus catecismos, Maior e Menor (versão brasileira), e na Confissão de Fé de Westminster (I, X) é expli­citamente declarado:

“O Juiz Supremo, pelo qual todas as controvér­sias religiosas têm de se determinadas, e por quem serão examinados todos os decretos de concílios, todas as opiniões dos antigos escri­tores, todas as doutrinas de homens e opiniões particulares, o Juiz Supremo, em cuja presença nos devemos firmar, não pode ser outro senão o Espírito Santo falando na Escritura.”¹

Nenhuma opinião, controvérsias ou ideologias podem determinar a nossa forma de pensar! Seguindo esse princípio reformado, a IPCB em sua Constituição e Ordem declara em sua intro­dução que é uma igreja rigorosamente ortodo­xa, e por esta razão rejeita todo tipo de filosofia humana que pretende substituir o Evangelho, como segue (C.O. Introdução, 3)²:

“…É, pois, uma igreja rigorosamente ortodoxa; e, por força disso, declara incompatível com a profissão de fé evangélica a aceitação de qual­quer sistema filosófico ou religioso que preten­da atingir os mesmos objetivos do Cristianis­mo por outros meios que não sejam apenas os estabelecidos pela Palavra de Deus.”

Diante destes fundamentos teológicos e histó­ricos que nossa denominação defende ardua­mente e crendo que o Evangelho abrange a to­talidade da nossa existência, tendo a Escritura como óculos que nos conduzem a interpretar toda a realidade, exporemos alguns pontos fun­damentais acerca do tema proposto para defini­ção de posicionamento.

DEFINIÇÃO: O QUE É IDEOLOGIA?

O primeiro aspecto que precisamos definir cla­ramente é o termo “ideologia”. Neste momento, não está em pauta “ideologia política”, mas ape­nas a essência de qualquer “ideologia”, seja po­lítica, filosófica ou moral. O termo literalmen­te significa: “aquilo que seria ou é ideal”.³ Toda ideologia está na categoria bíblica da idolatria, pelas seguintes razões: Primeiro – toda ideolo­gia é essencialmente idolatra, provém do com­prometimento religioso (idolatra) de uma pes­soa ou comunidade com aquele “ideal de vida”; Segundo – as ideologias deificam algo dentro da criação de Deus, elas veem tal deus feito por mãos humanas como fonte de salvação.4

As ideologias ou filosofias não podem moldar a nossa forma de enxergar a realidade, mas apenas as Escrituras, como óculos que nos per­mitem enxergar e interpretar corretamente a existência humana dentro da ordem criacional. Nesse sentido, temos que declarar que nenhu­ma ideologia tem caráter redentivo para a hu­manidade. Elas são apenas expressões de idola­tria humana que tenta apresentar ao homem o sentido da vida fora do cristianismo.

A SUPERIORIDADE DO EVANGELHO COMO COSMOVISÃO

O evangelho não pode, de forma alguma, ser confundido com uma ideologia, pois esse é su­perior. O evangelho revela a mensagem de Deus, a verdade sobre toda a realidade criada. Deus é a única realidade auto existente, tudo depende dele para origem e preservação, e nada está fora do escopo central bíblico da criação, queda e re­denção.5 É sobre esta base segura que todas as coisas devem ser julgadas e examinadas6, o que inclui as filosofias, teorias, práticas e ideologias políticas.7 A suprema mensagem do evangelho apresenta Jesus, descendente de Davi e Filho de Deus, crucificado, ressurreto, com poder, por obra do Espírito Santo, sendo o único e suficien­te salvador necessário aos seres humanos.8 Não se pode impor ou fixar o evangelho em nenhu­ma estrutura humana, seja ela política, econô­mica, social ou mesmo eclesiástica, pois não será por meio dessas que o Reino de Deus virá à Terra, mas o Reino será consumado somente por meio do evangelho.9 Havendo a tentativa de interpor determinada ideologia como represen­tante do Reino de Deus, não só se estará distor­cendo o evangelho, mas, na verdade, isso não será mais o evangelho.10

É necessário que o cristão analise suas prefe­rências políticas, como também suas simpatias partidárias, submetendo todo seu pensamento, suas opiniões e desejos, à obediência de Cristo Jesus, para que Ele seja honrado através de sua fidelidade.11 Como já descrito, as ideologias têm o mesmo fundamento das idolatrias, pois ao iso­larem uma parte da realidade criada por Deus, elevando-a ao papel de orientadora do resto da criação,12 este recorte se torna o fundamento de interpretação da realidade, colocando, desta forma, este no lugar de Deus. Por isso, as ideo­logias acabam cobrando de seus seguidores sua fidelidade e devoção. Somente a cosmovisão cristã, que é a visão de mundo biblicamente ins­tituída, poderá apresentar e interpretar correta­mente a realidade, colocando todas as coisas em seus devidos lugares, pois esta não é fundamen­tada num fenômeno parcial, ou simplesmente temporário, ou então, num recorte da realida­de, mas é um sistema de princípios abrangente, partindo da revelação daquele que é o Criador e Sustentador de tudo.13

INCOMPATIBILIDADE ENTRE EVANGELHO E IDEOLOGIA ESQUERDISTA

Conforme já exposto entendemos que o cristia­nismo não deve ser nem direita e nem esquerda uma vez que ambas as ideologias têm como pressuposto redimir a humanidade.

Nenhuma ideologia pode, portanto, determinar a nossa forma de pensar! Todavia, existem ide­ologias que vão frontalmente de encontro à fé cristã, como é o caso do socialismo.

Reafirmamos o que está estabelecido na Intro­dução Geral da Constituição e Ordem da IPCB onde diz: “É, pois, uma igreja rigorosamente ortodoxa; e, por força disso, declara incompatí­vel com a profissão de fé evangélica a aceitação de qualquer sistema filosófico ou religioso que pretenda atingir os mesmos objetivos do Cris­tianismo por outros meios que não sejam ape­nas os estabelecidos pela Palavra de Deus.”

Sendo assim entendemos que, ainda que possa haver pontos positivos na ideologia socialista, não há compatibilidade entre a fé reformada e a tal ideologia ou a qualquer outra que defenda: A promoção do aborto, da ideologia de gênero, a desconstrução dos valores bíblicos quanto a famí­lia, o feminismo, a descriminalização das drogas, o incentivo a sexualidade precoce em crianças e adolescentes, a intervenção estatal na educação de nossas crianças ou qualquer outra coisa se es­teja em desacordo com a cosmovisão cristã.

Diante disto entendemos que nenhum cristão deve filiar-se, defender ou promover de qual­quer forma partidos políticos ou entidades quaisquer que se guiem pela cosmovisão socia­lista que defenda as bandeiras supracitadas.

Rev. Welerson Alves Duarte (Presidente da Assembleia Geral)

 

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