“O Perigo de Ignorar a Vontade de Deus” (1 Samuel 15.1-11)

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“O Perigo de Ignorar a Vontade de Deus” (1 Samuel 15.1-11)

Os onze primeiros versos do capítulo quinze do primeiro livro de Samuel apontam para o perigo da desobediência, para o perigo de servir a Deus por conveniência.

O capítulo se inicia com o rei Saul recebendo uma ordem de Deus: “Assim diz o SENHOR dos Exércitos: Castigarei Amaleque pelo que fez a Israel: ter-se oposto a Israel no caminho, quando este subia do Egito. Vai, pois, agora, e fere a Amaleque, e destrói totalmente a tudo o que tiver, e nada lhe poupes;” (vv. 2,3). Uma ordem dada, talvez, como uma nova chance para que Saul se redimisse após os fracassos registrados nos capítulos anteriores.

Deus tem uma missão para Saul. O rei será a vara de justiça em Sua mão. Para isso Saul deveria reunir o seu exército e ir contra os amalequitas – povo esse que foi mau para com os hebreus após a travessia do Mar Vermelho, tentando impedi-los de chegar ao Sinai (conf v.2).

A destruição de Amaleque deveria ser realizada exatamente conforme a vontade de Deus revelada, ou seja, de acordo com o v. 3, pela palavra “destruir” (do hebraico “hãrem” – dedicar, devotar, destruir) a destruição dos amalequitas e de todas as suas posses, com a proibição de não se poupar nada, seria dedicada a Deus, como aplicação da Sua santa justiça e cumprimento da sua Aliança. Semelhante ao que ocorreu com a vitória sobre Jericó, primeira conquista em Canaã.

Nos versos que se seguem, 5 e 6, Saul parece ter entendido bem a ordem de Deus nos versos 1 a 3, transmitida pelo profeta Samuel. Pois, em seguida ele reuniu seu exército e foi até Amaleque. Saul está disposto a se redimir diante de Deus? O rei estava arrependido dos fracassos anteriores? Obedeceria a Deus totalmente? Amaleque seria consagrada ao Senhor? Infelizmente não! Não é o que os versos que se seguem revelam. O que vemos é o rei Saul revelando a quem ele verdadeiramente temia, onde estava a sua confiança e a real motivação do seu coração.

Nos versos 8 e 9 vemos que Saul poupou o rei dos amalequitas e o melhor dos seus animais. Não sabemos qual foi a real motivação do rei que o levou a desobedecer a ordem de Deus. Mas o texto nos leva a crer que o mesmo agiu por conveniência.

Por conveniência, mais uma vez vemos que Saul preferiu satisfazer a sua vontade, e não a vontade de Deus. É verdade que Saul destruiu os amalequitas, mas não totalmente, pois poupou o rei de Agague. É verdade que Saul matou os animais, mas não totalmente, pois poupou os melhores dentre os bois e as ovelhas. É verdade que Saul obedeceu a Deus, mas não totalmente. Sim, Saul obedeceu a Deus, mas parcialmente. E, obedecer a Deus parcialmente é o mesmo que não obedecê-Lo.

A intenção de Saul pôde ser boa aos olhos dos homens, conforme lemos nos verso 15: “porque o povo poupou o melhor das ovelhas e dos bois, para os sacrificar ao SENHOR, teu Deus; o resto, porém, destruímos totalmente”. Sua justificativa foi a adoração. Justificativa que certamente seria aceita e aplaudida entre os cristãos atuais, como provavelmente foi pelo exército de Saul. Mas, Deus não pediu boa intenção de Saul, Deus pediu obediência – e obediência completa! Saul ainda não havia entendido que mais tarde ouviria de Samuel: “Tem, porventura, o SENHOR tanto prazer em holocaustos e sacrifícios quanto em que se obedeça à sua palavra? Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar, e o atender, melhor do que a gordura de carneiros. Porque a rebelião é como o pecado de feitiçaria, e a obstinação é como a idolatria e culto a ídolos do lar. Visto que rejeitaste a palavra do SENHOR, ele também te rejeitou a ti, para que não sejas rei”(vv. 22-23).

Portanto, que olhemos para Saul como um espelho, e comparemos as suas com as nossas ações. Questionemos se temos servido ao Senhor em obediência completa ou de acordo com o que nos é conveniente. Clamemos que o Santo Espírito ilumine a nossa mente e coração a fim de chegarmos a um diagnóstico correto da nossa vida para que constatadas falhas quanto ao tipo de obediência prestada, que arrependidos, nos prostremos aos Seus pés clamando por misericórdia. Para que, a exemplo de Saul, não ouçamos do Senhor: “Arrependo-me de haver constituído Saul rei, porquanto deixou de me seguir e não executou as minhas palavras. Então, Samuel se contristou e toda a noite clamou ao SENHOR” (v.11). Amém!

Que o Senhor Jesus conceda um ótimo dia a você e toda a sua família.

Rev. Roney Pascoto