“A Identidade de Gênero e a Igreja”
20 de abril de 2019
“Guarda o Coração”
20 de abril de 2019

“Cristo, Exemplo de Humildade que Gera as Atitudes que o Cristão deve ter para que haja Unidade na Igreja”

Uma análise dos princípios que há em Filipenses 2. 5-11
Rev. Jaziel Cunha

INTRODUÇÃO
Deus protege o humilde e o livra. Ele ama e consola o humilde; ao humilde ele se inclina; ao humilde Ele dá grande graça; e depois de sua humilhação ele o levanta. Ao humilde dá graça e o atrai a si docemente, e o convida a si. O humilde, embora sofra confusão está, contudo, perfeitamente em paz, pois des-cansa em Deus e não neste mundo.

Clory Trindade de Oliveira em seu artigo que fala sobre as Circunstâncias históricas que motivaram a desunião diz o seguinte:
A história da Igreja Cristã sempre tem apresentado momentos de maior fidelidade e vitalidade, em alternância com momentos de infidelidade e declínio espiritual. Todavia, em nenhum destes momentos é lícito falar em termos absolutos. Jamais houve um momento de absoluta fidelidade, sem que erros e fraquezas a marcassem, assim como jamais houve momento de absoluto fracasso, sem que valores e vitórias a coroassem. Os séculos 14 e 15, certa-mente, constituem um desses momentos de declínio espiritual, quando a Igreja Cristã desenvolve uma série de atitudes e atividades, onde se mesclam a fidelidade e a infidelidade ao Senhor Jesus Cristo. Crescem alguns erros na vida e ação da Igreja, com tal intensidade, que o século XVI vai registrar uma grande e profunda cisão na vida própria Igreja Cristã ocidental. É a chamada Reforma Protestante. A Reforma Protestante não pode ser corretamente entendida, se analisada apenas como um acontecimento isolado. O cisma cristão do século 16 deve ser analisado como um movimento histórico, com ra-ízes profundas e amplas ligações no passado. O prisma do fracasso da Igreja em manter a unidade é manifestação do pecado. E este fato perturba a igreja de Cristo há muito tempo, desde o primeiro século. 1

CARACTERÍSTICAS DA CIDADE DE FILIPOS
Uma das características principais dos moradores de Filipos era a sua cidadania romana (cf. At 16:21). A cidade de Filipos localizava-se em uma cordilheira que dividia a Ásia da Europa. Era uma cidade militarmente estratégica. No início do século IV A.C., Filipe da Macedônia (pai de Alexandre o Grande), con-quistou-a e deu-lhe um nome de acordo com o seu. Em 168 A.C., Filipos caiu nas mãos dos romanos tornando-se parte da província romana da Macedônia e tendo Tessalônica como capital. Em 42 A.C., Marco Antônio e Otávio derrotaram Brutus e Cásio nas proximidades de Filipos. Em gratidão ao auxílio rece-bido dos moradores de Filipos, Antônio fez dela uma colônia romana. Pelo fato de ser colônia romana seus cidadãos desfrutavam de todos os privilégios da cobiçada cidadania romana. Sua economia e leis eram baseadas no padrão romano. Na época de Paulo era uma importante cidade militar (havia lá um des-tacamento da Guarda Pretoriana) e era também um importante centro econômico. Uma das mais importantes estradas do Império, a Via Ignatia, passava por lá. Eles tinham orgulho da sua cidade.
Paulo usa o orgulho que tinham da sua cidadania romana para ensinar uma lição. Ele afirma que a cidadania do cristão está no céu; lá está a sua verdadeira pátria e é para lá que os seus olhos devem estar voltados. Eles deveriam considerar não somente as coisas terrenas, mas também, e principalmente, as divinas. É dos céus que eles aguardavam a volta do Salvador, Jesus Cristo, que viria com uma finalidade especifica. É desta finalidade que falaremos a seguir, pois ela também faz parte da esperança do cristão. Quando Paulo escreveu esta carta provavelmente ele estava preso em Roma, Filipos ficava distante de Roma cerca de 1900 km.
Porque Paulo escreve esta carta? A igreja de Filipos era uma comunidade prospera, fora a primiera igreja fundada por Paulo na Europa, lá em Atos 16, esta igreja era amável com Paulo, ela tinha mandado Epafrodito cuidar de Paulo nas suas necessidades, também esta igreja mandou duas vezes oferta para Paulo Fp. 4. 14-17.
A igreja passava por alguns problemas, existiam falsos mestres Fp. 3.2 e existiam problemas de relacionamento fp. 4.2. E é com o desejo de ensinar a hu-mildade, que Paulo escreve este majestoso texto referente à Cristo.

TEXTO EM GREGO E PORTUGUÊS
A nossa pericope começa no verso 1 do cap. 2 e se estende até o verso 11. Todavia, o que será posto são os versos 5 ao 11. Segue o texto de Filipenses 2. 5-11:
tou/to fronei/te evn u`mi/n o] kai. evn Cristw/| VIhsou/ o]j evn morfh/| qeou/ u`pa,rcwn ouvc a`rpagmo.n h`gh,sato to. ei=nai i;sa qew/| avlla. e`auto.n evke,nwsen morfh.n dou,lou labw,n evn o`moiw,mati avnqrw,pwn geno,menoj\ kai. sch,mati eu`reqei.j w`j a;nqrwpoj evtapei,nwsen e`auto.n geno,menoj u`ph,kooj me,cri qana,tou qana,tou de. staurou/ dio. kai. o` qeo.j auvto.n u`peru,ywsen kai. evcari,sato auvtw/| to. o;noma to. u`pe.r pa/n o;noma i[na evn tw/| ovno,mati VIhsou/ pa/n go,nu ka,myh| evpourani,wn kai. evpigei,wn kai. katacqoni,wn kai. pa/sa glw/ssa evxomologh,shtai o[ti ku,rioj VIhsou/j Cristo.j eivj do,xan qeou/ patro,j

Tradução ARA:
Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz. Pelo que também Deus o exaltou sobremaneira e lhe deu o nome que está acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai.

O QUE FOI O ESVAZIAMENTO DE CRISTO? UMA ANÁLISE DOS VERSOS 5-7
Paulo usa no verso 5 fronei/te “cerebrai, pensai, ter isto em mente” Temos aqui um verbo que é um imperativo presente ativo. Paulo não está sugerin-do, Paulo está ordenando e esta ordenança Paulo deixa claro que deve ser obedecida constantemente. O que Paulo ordena aos filipenses? Que eles te-nham Cristo como exemplo de humildade, de serviço, de subordinação a um plano feito por Deus.
Paulo a partir do verso 6 irá detalhar o que ele quer dizer.
O texto fala em forma, o que vem a ser isto? Apesar de estar na natureza humana, Jesus não deixou de ser Deus, este é o sentido. Existe também outra palavra no nosso verso, subsistindo, o verbo no grego expressa a continuação de um estado ou condição anterior. Não julgou como usurpação o ser igual a Deus, e não seria usurpação a Deus, pois Ele é e sempre será Deus. A palavra igual, diz que Ele é igual ao Pai, em tudo.
O verso 7 diz: Ele se esvaziou. De que? Já vimos que não foi de sua divindade, pois, o verbo para subsistir, no grego dá a ideia de presente continuo, ou seja, Ele é e continua a ser, então se esvaziou de que?
A palavra para esvaziar, indica que Ele se esvaziou de sua glória, pois Ele assume forma de servo, por isso que a teologia coloca esta atitude de Cristo, como sendo o primeiro estágio de sua humilhação.
O texto fala que Ele assumiu a natureza humana, sem pecado é lógico, mas Ele era verdadeiro homem.
Existe uma palavra no texto grego que é squema que foi traduzido nas nossas versões como reconhecido, a chave linguística comentando sobre esta pala-vra diz o seguinte: “a palavra era usada para um rei que mudava sua roupa real por uma roupa de pano de saco” (RIENECKER; ROGERS, 1995).
Sobre esta humilhação o catecismo maior diz o seguinte:

Pergunta 47: Como se humilhou Cristo na sua concepção e nascimento?
R: Cristo se humilhou na sua concepção e nascimento, em que, sendo o Filho de Deus no seio do Pai desde toda a eternidade, aprouve-lhe tornar-se, na plenitude do tempo, no Filho do homem, feito e nascido de uma mulher de condição humilde, sob diversas circunstâncias bem mais degradantes que o normal (CATECISMO MAIOR COMENTADO DE WESTMINSTER, 2007)

Ora, se o rei da glória tirou sua roupa real e pôs a roupa que o caracterizou como servo sofredor. Qual a razão de haver orgulho no meio do povo de Deus? Toda forma de orgulho é algo que torna os santos indignos. Pois não temos e nunca teremos nenhuma glória gerada por nós. Aquilo que somos e que se-remos é por causa da obra que a Santíssima Trindade realizou nas nossas vidas.
Há algo de interessante no Catecismo da Igreja Católica que corrobora aquilo que cremos. “Assim, a Igreja confessa que Jesus é inseparavelmente verda-deiro Deus e verdadeiro homem. É verdadeiramente o Filho de Deus feito homem, nosso irmão, e isso sem deixar de ser Deus, nosso Senhor.” 2

CRISTO LEVOU ATÉ AS ÚLTIMAS CONSEQUÊNCIAS DESTE ESVAZIAMENTO. UMA ANÁLISE DO VERSO 8.
Qual foi esta consequência? A morte. Mas não uma simples morte, morte de cruz, qual era o significado de morrer numa cruz para aqueles dias? Quem era pendurado numa cruz era maldito, tão maldito que ficava suspenso entre e o céu e a terra, a morte de cruz no mundo antigo era a forma de punição re-servada aos escravos, rebeldes e os piores criminosos, e tudo isso Ele fez para nos resgatar Gl 3.13.
As Três Pessoas da Santíssima Trindade são eternas e autossuficientes, e gozam igualmente de todos os aspectos e atributos da Divindade, e atuam juntas. Porém, as Pessoas são distintas em suas mútuas relações. No que diz respeito à economia da salvação, cabia ao filho o papel de ir até à cruz. E isto é reve-lado na humilde submissão de Cristo à vontade do Pai. Humildade, nas Escrituras, não significa pretender ser inútil e recusar posições de responsabilidade, mas reconhecer e guardar o lugar que Deus determinou para ser ocupado. Ser humilde é questão de aceitar a disposição por Deus, quer signifique ocupar um lugar de alta posição de liderança (Moisés foi humilde como líder – Nm 12.3) quer signifique ocupar um lugar obscuro de servo. Quando Jesus disse que era “humilde de coração” (Mt 11.29), quis dizer que estava seguindo o plano de Deus para a Sua vida terrena. O plano que o Senhor Jesus iria cumprir era composto de duas etapas: obediência ativa e passiva. Este projeto faz parte daquilo que ficou acordado na eternidade. Naquilo que os teólogos chamam de aliança de redenção. Cristo cumpriu essa Aliança.

David. S. Clark em sua sistemática diz o seguinte:
O plano do concerto era salvar o homem por meio de um Redentor que, se tornaria substituto do homem, sofreria a penalidade de seus pecados, cumpri-ria todas as exigências da Lei de Deus, justificaria ou absolveria o pecador sob a condição da fé, restaurá-lo-ia ao favor de Deus, santificá-lo-ia comple-tamente e o glorificaria eternamente. (CLARK, 1988)

Em Sua humilhação, Ele deixou para trás a glória eterna que era Sua, assumindo uma perfeita e completa natureza humana. Na Sua encarnação Ele teve uma vida de pobreza e sofrimento para, finalmente, morrer a vergonhosa morte de um condenado comum (II Co 8.9; Gl 3.13; Fp 2.6-8).
Em Sua exaltação, Cristo ressurgiu dentre os mortos, ascendeu aos céus e reina como Rei sobre o mundo e a Igreja. Junto com o Pai, Ele enviou o Espírito Santo para completar a obra de redenção que realizou por nós. De sorte que, como fora dito, a obediência redentiva de Cristo teve dois lados chamados “ativo” e “passivo”.
Em Sua obediência ativa Cristo cumpriu os mandamentos positivos de Deus em favor do Seu povo, servindo a Deus e fazendo o bem.
Em Sua obediência passiva, Cristo pagou a Deus a penalidade devida pelos pecadores. Fez isso sofrendo a morte de cruz. “Passiva” significa “permitir”, “consentir” e não ser inativo, alheio e insensível. Jesus veio para fazer a vontade do Pai, não para evitá-la, e seu coração estava inteiramente conformado com ela.
Para corroborar tudo isto a Confissão no cap. VIII seção V diz o seguinte;
O Senhor Jesus, pela sua perfeita obediência e pelo sacrifício de si mesmo, sacrifício este que, Espírito eterno, ofereceu uma vez a Deus, satisfez plena-mente à justiça de seu Pai e adquiriu não só a reconciliação, mas também uma herança eterna no Reino dos Céus para aqueles que o pai lhe deu. (CON-FISSÃO DE FÉ DE WESTMINSTER)

QUAL FOI A SUA RECOMPENSA? UMA ANÁLISE DOS VERSOS 9-10
Deus o exaltou, essa exaltação não produziu nenhuma modificação na natureza divina do Filho de Deus, a natureza humana de Jesus Cristo foi glorificada. Ele recebeu a alegria que lhe estava proposta Hb 12.2. Nesta mesma natureza repousa, também toda a glória da Divindade, glória de Deus na face de Cristo 2 Co 4.6. A alteração fora na natureza humana de Cristo. O nome de Jesus está a cima de todo o nome. Atos 4 .11-12
Sobre o nome de Jesus o mesmo catecismo da Igreja de Roma diz algo significativo

Em hebraico, Jesus quer dizer «Deus salva». Quando da Anunciação, o anjo Gabriel dá-Lhe como nome próprio o nome de Jesus, o qual exprime, ao mesmo tempo, a sua identidade e a sua missão. Uma vez que «só Deus pode perdoar os pecados» (Mc 2, 7), será Ele quem, em Jesus, seu Filho eterno feito homem, «salvará o seu povo dos seus pecados» (Mt 1, 21). Em Jesus, Deus recapitula, assim, toda a sua história de salvação em favor dos homens.3

No verso 10 temos uma divisão, veja só: nos céus, na terra e debaixo da terra, o que isto quer dizer? Cristo é reconhecido como Senhor de tudo especial-mente dos demônios, e eles são obrigados a admitir que Ele é o vencedor, e eles mostram submissão ao prostrarem perante o Senhor.
O estado de humilhação consistia em ser homem, a sua glorificação também foi como homem, Ele continua a ser homem-Deus. Temos o conceito do Deus homem no céu por toda a eternidade. Sentado sobre a nuvem um semelhante a filho de homem” (Ap 14:14). Então, o próprio Filho também se sujeitará àquele que todas as coisas lhe sujeitou, para que Deus seja tudo em todos. (1Coríntios 15:28).
Depois de Sua ressurreição, Jesus subiu ao céu. Agora está ali assentado, como Deus homem glorificado, no lugar mais elevado, à destra de Deus. Como Deus homem, voltará para levar Consigo os Seus e introduzi-los na casa do Pai. Logo aparecera ao mundo em glória.
Como Deus homem, exercerá o juízo (Apocalipse 14:14) e, segundo 1Co 15:28, vemos claramente que permanecerá Deus homem eternamente.
Por último, pelo poder de Deus subiu ao céu (Efésios 4:10). E agora está assentado à direita da Majestade, como homem glorificado, nas alturas (Hebreus 1:3). E voltará parta buscar o seu povo.
Sobre esta certeza Calvino diz o seguinte:

Olhemos para o futuro, para aquele dia quando o Senhor receberá seus fieis servos em seu reino de paz. Então Ele enxugará todas as lagrimas de seus olhos, lhes vestirá com vestimentos de alegraia, hes adornará com coroas de vitória, lhes agradará com infinitos deleites, lhes exaltará à sua glória e lhes fará participantes de sua propria felicidade ( CALVINO, 2008)

A grande ironia da aplicação de tudo isto sobre a humanidade é a insanidade dos impios em relação ao Senhor Jesus. A razão de tudo é o decreto de Deus. Este decreto se realizará através dos atos providenciais da parte de Deus. É lógico que a razão do homem que quer controlar tudo não gosta disto! É lógico que o niilista (trágico) não gostará de saber que há alguém por trás de tudo e que tudo tem uma moral última. “O problema é que moral não é a moral ad-vogada pelos teóricos de botequins” Todavia, a realidade é esta: queiram kantianos ou niilistas!
Há uma realidade última e esta realidade última é a glória de Deus “Que diga de passagem o conceito de Deus revelado nas Escrituras não é este que é su-gerido pela caricatura de cristianismo que é dito na sociedade decadente”
Na realização do decreto coisas boas e monstruosas acontecem com pessoas que foram predestinadas para a vida como também as que foram predesti-nadas para a morte. Não há uma seleção de coisas boas para os predestinados para a vida, como também não há só coisas más para os que foram predes-tinados para a morte. Temos um cardápio de coisas boas e ruins para ambas as classes de pessoas.
No entanto, cada coisa que acontece com uma das classes está ligada com outras coisas, e este encadeamento quando chegar ao seu final manifestará o decreto estabelecido na eternidade. É desta forma que se entende que depois de um período de vida sofrida por causa da inveja de seus irmãos que José dirá: O mal que intentastes contra mim Deus transformou em bem. O cardápio de coisas ruins que Deus envia para seus escolhidos durante o processo nesta vida é revertido em bem.
Todavia, o bem que Deus envia para os escolhidos para a morte e desgraça eterna é revertida em mal. Este processo de reversão se dá logicamente du-rante o tempo e o tempo de reversão não é controlado pelo homem, “que diga de passagem não controla nada” Desta forma, o decreto se realiza! Eis, a razão de o Senhor ser assombroso, terrível e misterioso!

APLICAÇÕES
Será que temos lições para a nossa vida? Com certeza. Destacaremos algumas aplicações que cremos ser relevantes para a igreja de Cristo.

Cristo é o exemplo de humildade que deve ser seguido: a Igreja precisa ter consciência de que ela é serva. Que ela é chamada para servir. Não podemos viver no mundo sem o necessário discernimento da época em que vivemos e de quem somos. As Escrituras nos instruem e nos ordena que sejamos crite-riosos e sóbrios para termos discernimento das coisas. O crente precisa fazer a leitura do seu tempo e perceber o agir de Deus. Este discernimento deve levar o crente à oração. As Escrituras ordenam como devo me relacionar com meu irmão: devo amá-lo intensamente. Amar é respeitar, corrigir, ser trans-parente, não criar confusão, entender que temos o mesmo propósito, manter a paz entre os santos de Deus. Quem não procede assim, peca. Devemos ser prontos para ajudar. Devemos ter discernimento que somos escravos e administramos bens do Nosso Senhor. Que recebemos dons e devemos utili-zá-los de forma que todos os santos de Deus sejam servidos. A finalidade de tu teres dons e posses é seres útil ao teu irmão. Se você ainda não entendeu isto, você está pecando. Cada um precisa usar o talento que Deus lhe deu e entender que a força para usar este talento não provém de nós mesmo. Toda a glória é de Deus. Então não se engane, não somos nada, não temos nada, tudo o que somos e o que temos foi dado por Deus. Sendo assim, a maior estu-pidez que um santo de Deus possa ter é o orgulho e a soberba.
Orgulho é pecado: Nossos pensamentos orgulhosos estão diante de Deus, então nosso culto só será aceito, quando confessamos os nossos pecados e nos convertemos das nossas iniquidades, dos nossos atos egoístas, da nossa rebelião contra Deus e Sua palavra. Deus nos castiga visando a nossa correção, não tenhamos coração duro, que não atente na repreensão do Senhor. Não nos enganemos, não é porque as coisas parecem boas, que Deus não agirá, se es-tivermos errados, o povo de Deus se enganou exatamente nisso. Se estamos de pé, é por causa Dele e não de nós mesmo. As atitudes ímpias são bastante conhecidas e nós não devemos mais praticá-las, devemos andar em novidade de vida. Devemos ter consciência que estamos ainda neste corpo corruptível, e a única maneira de dominarmos a carne, é dedicando os nossos membros, cada dia a Cristo Jesus. Devemos ter sempre as nossas fraquezas expostas diante de Deus. Irmão não se engane, sem esta continua confissão, o homem cai.
Thomas de Kempis em seu livro a Imitação de Cristo diz alguns conselhos que a Igreja de Cristo faria bem em observar:

Todo homem tem desejo natural de saber; mas que aproveitará a ciência, sem o temor de Deus? Melhor é, por certo, o humilde camponês que serve a Deus, do que o filósofo soberbo que observa o curso dos astros, mas se descuida de si mesmo. Aquele que se conhece bem se despreza e não se compraz em humanos louvores. Se eu soubesse quanto há no mundo, porém me faltasse a caridade, de que me serviria isso perante Deus, que me há de julgar segundo minhas obras? Renuncia ao desordenado desejo de saber, porque nele há muita distração e ilusão. Os letrados gostam de ser vistos e tidos por sábios. Muitas coisas há cujo conhecimento pouco ou nada aproveita à alma. E mui insensato é quem de outras coisas se ocupa e não das que tocam à sua salvação. As muitas palavras não satisfazem à alma, mas uma palavra boa refrigera o espírito e uma consciência pura inspira grande confiança em Deus. Quanto mais e melhor souberes, tanto mais rigorosamente serás julgado, se com isso não viveres mais santamente. Não te desvaneças, pois, com qualquer arte ou conhecimento que recebeste. Se te parece que sabes e entendes bem muitas coisas, lembra-te que é muito mais o que ignoras. Não te presumas de alta sabedoria (Rom 11,20); antes, confessa a tua ignorância. Como tu queres a alguém te preferir, quando se acham muitos mais doutos do que tu e mais versados na lei? Se queres saber e aprender coisa útil, deseja ser desconhecido e tido por nada. Não há melhor e mais útil estudo que se conhecer perfeitamente e desprezar-se a si mesmo. Ter-se por nada e pensar sempre bem e favoravelmente dos outros, prova é de grande sabedoria e perfeição. Ainda quando vejas alguém pecar publicamente ou cometer faltas graves, nem por isso te deves julgar melhor, pois não sabes quanto tempo poderás perseverar no bem. Nós todos somos fracos, mas a ninguém deves considerar mais fraco que a ti mesmo. 4

HÁ 3 RAZÕES QUE NOS AFLIGEM:
1. O diabo, que é o Tentador – Mt 4:3; 1 Ts 3:5.
2. O mundo.
3. A carne, que é inclinada para o mal – Tg 1:12-13.
Quando caímos em tentação? Quando negligenciamos as obrigações (os deveres) que Deus nos dá. Quando alimentamos o mal no coração. Quando permi-timos que Satanás nos atraia, afastando-nos da comunhão. Quando deixamos de obedecer.
Como cristão preciso dar fruto: Existe na minha vida algum compartimento de insubmissão a Cristo? A ira paternal de Deus é real na vida de seus santos. Preciso vigiar para não ter perverso coração de incredulidade. Preciso ter cuidado para não ser endurecido pelo engano do pecado. Preciso guardar firma a fé até o fim. Preciso ouvir a voz do Espírito chamando a igreja ao arrependimento. Preciso ponderar o exemplo de irmãos do AT que experimentaram a ira de Deus. Preciso ponderar para saber se o próximo a experimentar a ira paternal não serei eu. “O alvo da tentação é desonrar a Deus e abater a alma.” (Owen). “Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca.” (Mt 26:41). Quem nos somos? Para me-recermos tamanha graça? Ao ponto do Espírito nos assistir? Se não fosse assistência e a intercessão do Espírito em favor dos seus, como oraríamos a Deus, então com o coração grato glorifiquemos a Deus pela obra do Espírito. O Espírito se envolve com seu povo, Ele é o nosso penhor, Ele senti ciúmes por nós, Ele é capaz de se entristecer por nossa causa quando erramos, e também, é capaz de produzir em nós gemidos profundos demais para serem expressos com palavras. Oh que grande amor, Ele têm por nós, e Ele é tão humilde que seu papel também é de levar-nos para glorificar a Cristo. O plano da Santíssima Trindade abrange tudo, toda a nossa eleição, nossa predestinação, nossa adoção, nossa justificação, A santíssima Trindade sabe que por estamos ainda na carne precisaríamos de ajuda. È muita graça sobre os eleitos de Deus, por aqueles por quem Cristo morreu.
Que é oração? Oração é um oferecimento de nossos desejos a Deus, em nome de Cristo e com o auxílio de seu Espírito, e com a confissão de nossos pe-cados e um grato reconhecimento de suas misericórdias. Como o Espírito nos ajuda a orar? Não sabendo nós o que havemos de pedir, como convém, o Espírito nos assiste em nossa fraqueza, habilitando-nos, a saber, por quem, pelo quê, e como devemos orar; operando e despertando em nossos corações (embora não em todas as pessoas, nem em todos os tempos, na mesma medida) aquelas apreensões, afetos e graças que são necessários para o bom cumprimento desse dever.
A verdadeira comunhão: Se manifesta em não querer as coisas de um jeito egoísta. Compreende que a verdadeira comunhão é demonstrada no amor de uns para com os outros e este amor se manifesta em respeitar opiniões e escolhas uns dos outros, tudo visando a comunhão, edificação e crescimento da igreja visando o louvor a Deus. Como pregar o verdadeiro cristianismo sem o perceber como o estilo de vida correto que agrada ao Deus? Como estilo de vida ele tem seu eixo gravitacional em torno do Sagrado. O Sagrado que se revela nas Escrituras e que determina as normas de vida das pessoas. O Sagrado que não admite pária. O Sagrado submeterá todas as nações e seus deuses. Qual a função primária do Pastor? Ensinar os homens a levarem seus pensa-mentos cativos ao Sagrado que se revela nas Escrituras como o SENHOR que subsiste em TRÊS PESSOAS: Pai, Filhos e Espírito Santo. Cristianismo é viver de acordo com os padrões do Sagrado, por conseguinte, é assumir um padrão único. Ser cristão é militar contra tudo que se levanta contra Deus e contra seu Ungido Jesus Cristo. Percebam que ser cristão é uma identidade e por ser identidade possui uma ideologia que se manifesta nas Escrituras. Desta forma, o verdadeiro cristão não pode se aliar com ideologias que militam contra a verdade revelada nas Escrituras sob o risco de ser tido por apostata.
Qual é a fonte da ética? A razão? Quem pensa é o homem, quem duvida é o homem, quem existe é o homem. Todavia, o homem é perverso e egoísta e outras coisas a mais. Logo toda ética que prover da razão será perversa e egoísta e outras coisas a mais. O Estado? Quem faz o estado? Quem faz as Leis? Homens! Todavia, homens são maus e egoístas e por serem isto e outras coisas a mais a ética seria o reflexo disto.
A situação? Além de ser transitória seria efêmera. Onde reside a fonte da Ética? Reside em Deus quem não é homem e sim Deus.

CONCLUSÃO
Uma faca tanto seve para preparar o alimento quanto para tirar a vida de uma pessoa. A faca por si só não fará nem uma coisa nem outra. Como objeto precisa da ação do homem sobre ela. A comparação serve para tudo aquilo que deveríamos usar para a glória de Deus. E entre estas coisas encontra-se o conhecimento. O conhecimento deve está a serviço do Reino de Deus e não em combate contra ele. O cristão não deve fugir do conhecimento, não se deve ter medo dele. No entanto, como a faca, ele deve ser posto no seu devido lugar, ele não possui divindade. Ele deve está a serviço de algo maior, algo que o torne útil. O endeusamento do conhecimento tem provocado grandes males à humanidade. Tem parido muitos monstros que tem fundamentado teoricamente muitas loucuras, matado muito gente e desviado muita gente do caminho. Entre alguns surtos que o endeusamento do conhecimento causa queria destacar a vaidade do seu fiel.
Este fiel na sua vaidade que o cega, faz com que seu culto da razão o torne escravo do instrumento de trabalho de sua mente. Esta vaidade se manifesta em pensamentos do tipo: Quem não pensa igual a mim é arcaico, infantil. “Lembrei-me de Freud e sua concepção da necessidade da religiosidade no ser humano”.
Cada vaidoso tem a sua loucura.
Como explicar isto:
Friedrich Nietzsche (1844-1900), era uma criança obediente e terna, bondosa, submissa e respeitadora, “o pastorzinho”. Esse foi um dos seus paradoxos. A miopia, que o conduziu à cegueira, foi uma das ironias da sua vida. A sua exaltação dos fortes e o aniquilamento dos fracos foi, não só um paradoxo, mas uma miopia.
Pois é…. É por falar em adoradores de coisas, pensei numa prece dos adoradores da faca:
Adoramos-te deus faca, por tua capacidade inata que tens de repartir coisas, tanto materialmente, quanto simbolicamente. Quando repartes a carne tão necessária para a nossa vida, a fruta e a verdura. Também te tememos deus faca, pois tens o poder de reparti o fôlego de vida da carne, quando feres o homem. Por isso te adoramos.
Não seria absurdo isto?
Da mesma forma age àqueles que são vaidosos e que adoram a criatura, algo imaterial ou qualquer outra coisa no lugar do Criador o qual é Deus Bendito.

BIBLIOGRAFIA
WESTMISNTER, Confissão de fé Comentada, São Paulo – SP. Ed. Puritanos, 1999
WESTMISNTER, Catecismo Comentado, São Paulo – SP. Ed. Puritanos, 2002
CLARK, David. S. Compêndio de Teologia Sistemática, Cultura Cristã, 1988
CALVINO, João. A Verdadeira Vida Cristã, Fonte Editorial, 2008
RIENECKER, Fritz e ROGERS, Cleon, Chave Linguistica do Novo Testamento Grego, Vida Nova, 1995

SITES CONSULTADOS
http://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/p1s2cap2_422-682_po.html
http://www.culturabrasil.org/zip/imitacao
https://www.metodista.br/revistas/revistas-ims/index.php/Caminhando/article/…/2106.

Notas
1.  https://www.metodista.br/revistas/revistas-ims/index.php/Caminhando/article/…/2106. Acessado em: 24 05 2016
2.  http://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/p1s2cap2_422-682_po.html. Acessado em 24 05 2016
3. Id. Ibid.
4. http://www.culturabrasil.org/zip/imitacao.pdf. acessado em 24 05 2016