“O caminho de vitória de uma Igreja em boa ordem” (Josué 10.28-43)
10 de maio de 2018
II Encontro de Pastores e Esposas
10 de maio de 2018

“A importância da ética na vida pessoal e familiar do crente na esfera da sexualidade, trabalho e descanso”

INTRODUÇÃO

Alguém certa vez falou: O mundo não odeia religião, odeia o Cristianismo. Como consequência deste ódio, o mundo rejeita toda uma leitura dos fatos que esteja baseada numa ótica judaico-cristã. Todo dia no rádio, na televisão, na fala de um professor universitário, ou em qualquer outro veículo, vemos a tradição e a cosmovisão Teísta, Neo e Vetero-Testamentárias sendo ridicularizadas. Neste trabalho, iremos ver um pouco da cosmovisão judaico-cristã a respeito do sexo, do trabalho e do descanso. Nosso pressuposto é revelacional, cremos que o Sagrado entrou na história do homem e se deu a conhecer a ele. Cremos que as Escrituras Sagradas do AT e do NT é a revelação do Sagrado. Ele se relaciona com suas criaturas. Seu desejo de criá-las teve intenção e se caracteriza pelo desejo de relacionamento. O Sagrado quer que suas criaturas desempenhem, de forma correta, um relacionamento amoroso e complementar Ele e elas e entre elas próprias. Quer que suas criaturas trabalhem com discernimento. Procuraremos demonstrar neste trabalho a perspectiva correta destes víeis.

CRIADOS COM PROPÓSITO

As Escrituras em Gênesis fazem a seguinte afirmação sobre a espécie humana e nela temos importantes informações sobre o ser humano: Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou. E Deus os abençoou e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todo animal que rasteja pela terra. Gn. 1.27-28.

Sobre este verso o Dr. Van Groningem considera o seguinte:

O verso 27 repete o verbo “criar” três vezes. Este verbo refere-se a Deus exercer seu poder soberano para trazer à existência, ao seu comando, o que não era existente. A tríplice repetição do verbo enfatiza a singularidade absoluta da humanidade que existe como seres humanos machos e fêmeas.1

Observe que a Escritura diz que o homem é imagem de Deus. Urbano Zilles, em seu livro Antropologia Teológica, faz o seguinte comentário.

As narrativas bíblicas da criação expressam a convicção da tradição judaica do que o homem, como as estrelas e a Terra, como o espaço destinado ao homem, foi criado do nada por Deus. O fundamento decisivo para a imagem judaico-cristã do homem é, pois, a doutrina de que o homem é criatura. Ligada a essa doutrina está certa determinação: O homem foi chamado à existência por Deus para representá-lo dentro de sua criação. A afirmação bíblica central sobre a determinação do homem é a doutrina da “imagem de Deus”. O homem é parecido com Deus (Gn 5.1) como o filho com seu pai (Gn 5.3), por que recebeu do seu Criador algo divino (2.7). Sendo imagem de Deus, ele representa Deus entre as demais criaturas, mas não é Deus. Por isso a vida do homem é inviolável (Gn 9.6). Essa doutrina inclui a convicção de que toda a criação tem sua origem em Deus e a Ele se orienta. Com isso o homem é o elo decisivo entre Deus e mundo. Destarte, na concepção bíblica, ele ocupa uma posição singular, da qual deriva uma série de consequências para determinar a essência e o papel do homem no mundo.2

Esta concepção da imagem de Deus pressupõe relacionamento entre a criatura e a Divindade, entre o homem e seus semelhantes, entre o homem e as criaturas. O ser humano – macho e fêmea- é chamado à existência e com ele Deus entra em aliança. Deus os constitui vice-gerentes de sua criação. O Senhor estabelece três mandatos: social, cultural e espiritual. Nestes mandatos todas as dimensões do relacionamento do ser humano são contempladas. Entre as relações entre o homem e seus semelhantes, que faz parte da esfera do mandato social, há um viés que é o da sexualidade humana. Infelizmente, esta particularidade do mandato durante a História da Igreja tem sofrido de várias incompreensões, muitas delas, decorrentes de pensamentos híbridos entre a Revelação e conceitos estranhos a esta revelação. Estes conceitos permearam o imaginário coletivo da igreja e do mundo e muitas e muitas vezes têm sido uma fonte para pessoas debochadas fazerem piadas de tom sacrílego.

SEXUALIDADE HUMANA

No que diz respeito ao relacionamento entre seres humanos, há um viés deste relacionamento que é o sexual. E este encontro se dá de forma plena entre um homem e uma mulher, pois ambos se completam em suas variadas funções, pois a diferença sexual atinge todos os elementos que caracterizam o corpo humano. A atração não se dá somente na esfera sexual e sim numa esfera psíquico-
-somática, há uma completitude. Corroborando isto, eis o que diz o Dr. Van Groningem:

O relato ampliado da criação do homem e da mulher, no entanto, declara que o macho veio inicialmente à existência e atuava sozinho, mas, nessa situação, ele experimentou uma situação de solidão e improdutividade (Gn 2. 18-20). Yahweh providenciou uma companheira de maneira singular com resultado de que o macho poderia, prontamente, reconhecê-la como sendo sua carne e osso (Gn 2.23). A diferença em origem, no entanto, não é para ser inferida como tendo o efeito de desigualdade entre o homem e a mulher. O relato inicial enfatiza sua igualdade; ambos foram cridos por Deus, ambos foram criados à imagem de Deus (Gn 1.27)3

Ora, este tipo de relacionamento infelizmente durante a História da Igreja não fora visto de forma tão favorável. Zilles, em seu livro, destaca algumas concepções a respeito da sexualidade na História da Igreja, ele diz que a doutrina antropológica e moral se baseiam em alguns pontos, falando a respeito de Santo Agostinho, ele diz:

A natureza humana, ferida pelo pecado, tornou-se natureza decaída. Nela está a concupiscência da qual a sexualidade é uma das expressões mais fortes. O prazer e a sexualidade são males em si, os quais, às vezes, podem ser justificados por algumas motivações extrínsecas que os desculpem e o compensam.4

A respeito desta afirmação de Santo Agostinho precisamos considerar suas influências, pois se não fizermos isto, corremos o perigo de fazermos juízo temerário. É fato que por volta de nove anos de sua vida aderiu ao maniqueísmo e isto o influenciou muito. O Maniqueísmo é uma filosofia religiosa sincrética e dualística fundada e propagada por Maniqueu, que divide o mundo simplesmente entre Bom, ou Deus, e Mau, ou o Diabo. A matéria é intrinsecamente má, e o espírito, intrinsecamente bom. Com a popularização do termo, maniqueísta passou a ser um adjetivo para toda doutrina fundada nos dois princípios opostos do Bem e do Mal. Todavia, parece que ele não conseguiu desvencilhar da perspectiva maniqueísta sobre a sexualidade humana.

Creio que sobre isto se faz necessário termos uma base definitiva e autoritativa. E esta base é as Escrituras Sagradas. A pergunta que deve ser feita é: O que as Escrituras dizem sobre a sexualidade humana? Tudo o que Deus criou é bom, incluindo a sexualidade. Na relação sexual temos o encontro entre dois seres humanos. Uma auto-realização. Um Eu e Tu que se manifesta pela graça de Deus num futuro Nós. Compreende-se por Nós a junção do homem com sua mulher tendo como resultado o fruto desta união que é o filho, pois ele leva em sua estrutura a junção do Eu e do Tu. Quando há um Eu e Tu separados temos dois. Quando se tornam uma só carne e desta união o Senhor Deus concede um filho temos um “Nós”. Esta fusão se dá quando a fêmea concebe, tornando manifesto para o mundo externo, a unicidade dos dois. Há, agora, um ser vivo que é a concretização dos dois, ou seja, a materialização do “Nós”. Este novo ser se torna um “Eu” que amanhã se juntará novamente a outro “Tu”, formando um novo “Nós”, desta forma a espécie humana se prolifera. Desta forma vemos que o coito carnal tem uma finalidade. Pois é nele que os dois se encontram. Mesmo a procriação sendo o auge desta união, ela não é a razão única do ajuntamento, o prazer, a completitude dos dois é sinal da graça de Deus para a espécie humana. Não é à toa que as Escrituras levam tão a sério a intromissão pecaminosa e destrutiva do adultério nesta relação. Eis o que ela diz: Se um homem adulterar com a mulher do seu próximo, será morto o adúltero e a adúltera. Lv. 22.10.

TRABALHO E DESCANSO

Nas Escrituras Sagradas temos indícios sobre a respeito da relação do homem com seu trabalho e descanso. Qual a compreensão da relação entre trabalho e descanso?

A lei, que é veículo de graça, demonstra isto de forma bem clara. Abordando a questão do 4ª mandamento e a graça contida na sua guarda. Observamos que as Escrituras trazem informações pertinentes para o ser humano: “Lembra-te do dia de sábado, para o santificar. Seis dias trabalharás e farás toda a tua obra. Mas o sétimo dia é o sábado do Senhor, teu Deus; não farás nenhum trabalho, nem tu, nem teu o eu filho, nem a tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o seu animal, nem o forasteiro das tuas portas para dentro; porque, em seis dias, fez o Senhor os céus e a terra, o mar e tudo o que neles há e, ao sétimo dia, descansou; por isso, o Senhor abençoou o dia de sábado e o santificou.” (Ex 20.8-11)

Será que este mandamento era desconhecido dos judeus? Não!

No próprio livro de Êxodo, o Texto Sagrado nos informa “Seis dias o colhereis, mas o sétimo dia é o sábado; nele, não haverá. Ao sétimo dia, saíram alguns do povo para o colher, porém não o acharam. Então, disse o Senhora Moisés: Até quando recusareis guardar os meus mandamentos e as minhas leis? Considerai que o Senhor vos deu o sábado; por isso, ele, no sexto dia, vos dá pão para dois dias; cada um fique onde está, ninguém saia do seu lugar no sétimo dia” (Ex 16. 26-29)

O contexto desta passagem é a colheita de maná.

Qual a razão de Deus fazer tanta questão por este dia?

Será que quando Ele descansou é porque estava de fato cansado? Não! A narrativa do Gênesis mostra-nos algo a mais. Deus nos ensina que devemos parar, devemos dar descanso tanto ao nosso corpo como as demais criaturas de Deus que nos servem e também a Terra. E aqui, vemos a “graça de Deus” se manifestando no seu Reino.

O descanso está relacionado com o mandato cultural, quando Deus criou o homem, deu-lhe a seguinte ordem: “Tomou, pois, o Senhor Deus ao homem e o colocou no jardim do Édem para o cultivar e o guardar.” (Gn 2.16)

Este trabalho não seria contínuo. Deus deu descanso para o homem. A própria Terra também teria que descansar “Porém, no sétimo ano, haverá sábado de descanso solene para a terra, um sábado ao Senhor; não semearás o teu campo, nem poderás a tua vinha” (Lv. 25.4)

Hans Walter Wolff diz o seguinte:

O tempo do ser humano é, acima de tudo, uma dádiva. Seu trabalho se torna inútil e sem sentido, se ele esquece isso. Embora a sabedoria vetero-testamentária exorte claramente a deixar a preguiça, ela previne com mais rigor ainda contra o equívoco de pensar que o ser humano seria obsequiado apenas por suas obras 5

Quando o Senhor pôs o homem no jardim, não o colocou para que fosse um desocupado, e muito menos que ele fosse um louco estressado, que não teria tempo para nada mais, além de trabalhar e trabalhar.

Aqui reside a graça do equilíbrio: trabalhar, mas também, poder descansar. Não adiantaria muita coisa, se o homem quisesse descansar e não tivesse como. O Senhor do Universo providenciou um dia para que o homem parasse. E dar-Se como exemplo, Ele, o próprio Deus, que não se cansa, descansou. “Assim, pois, foram acabados os céus e a terra e todo o seu exército. E, havendo Deus terminado no dia sétimo a sua obra, que fizera, descansou nesse dia de toda a sua obra que tinha feito. E abençoou Deus o dia sétimo e o santificou; porque nele descansou de toda a obra que, como Criador, fizera.” (Gn 2.13). Mostrando assim ao homem o que ele deveria fazer. E, como vimos, não só a ele, mas toda a criação.

A compreensão correta da relação trabalho e descanso só se dá quanto temos a percepção da finalidade de cada um.

Qual a finalidade do mandato cultural?

O mandato cultural é representado pelo comércio, artes, trabalho, tecnologia, escola, etc.

Sua finalidade é o desenvolvimento, a exploração da Terra. Mas, exploração consciente, e a isto, o próprio texto de Gn 2.15 limita. A expressão Hr”(m.v’l.W (e para ela “ele” governar). Tem um profundo significado. Segundo o DIT a raiz básica é a de “exercer grande poder sobre”6 o DIT também fala de um desdobramento, que para o nosso texto, tem uma aplicação mais específica, “tomar conta de, guardar. Isso envolve manter, ou cuidar de coisas, tais como um jardim”.7

O homem foi criado no sexto dia, e a primeira coisa que esse homem fez no seu primeiro dia de vida, depois de criado, foi o descanso, e isto tem uma aplicação teológica entre a relação trabalho X descanso. Wolff diz o seguinte:

Por conseguinte, o dia de repouso se destina a lembrar ao ser humano que ele foi posto em um mundo provido abundantemente de tudo que é necessário e de muitas coisas belas. As palavras recordam o primeiro relato da criação (Gn 2. 1-3) o qual descreve, em seu estilo arcaico, que o primeiro dia da vida do se humano foi o grande dia do repouso8

Qual o ensinamento disto?

Mostrar ao homem que ele deve depender do Criador, todo trabalho já foi terminado, o trabalho do homem é a manutenção, o cultivo, a guarda. Diga-se de passagem, que o Criador não depende do homem para manutenção de sua obra, pois como o texto de Hebreus nos informa é Jesus o Grande Sustentador de tudo (Hb 1.3). O homem como vice- regente da criação, governa a criação de Deus, e faz isto, por um ato de condescendência do Criador, de sorte, que Deus quis ensinar que Ele é provedor de tudo e que o homem precisa descansar Nele.

As Escrituras lembram ao homem esta sua limitação, mesmo falando contra a preguiça em textos como Pv. 6. 6-11; 26. 13-16. Ela de forma antitética também diz que O Senhor dá os seus enquanto dormem Sl 127.2. Então temos duas situações:

O Homem deve trabalhar; Mas o fruto do trabalho provém do Senhor.

Desta forma, estabelecemos a relação entre trabalho e descanso, o trabalho visa à glória de Deus, pois é sua ordem, dada na criação, o descanso também é ordem sua, e também visa a sua glória, pois no descanso, o homem percebe que tudo que ele possa fazer, não terá resultados esperados, se o Senhor não lhe der. Então a graça reside em trabalhar e poder descansar. Wolff faz o seguinte comentário:

A superabundância tira o descanso do mesmo modo que o zelo demasiado (…). O sono bom se torna o fator distintivo do ser humano que vive no ritmo das dádivas e dos chamamentos de Javé. No descanso se mostra a arte de viver, isto é, aquela sabedoria cuja peça mestra é o temor de Javé. Ela sabe que a futilidade do esforço baldado dos fanáticos por trabalho foi definitivamente substituído pela graticidade da dádiva de Javé durante o sono.9

SÁBADO

Com isto em mente, começamos a compreender a importância do dia de descanso, a ideia contida na ordem do Senhor em Gn 2. 3 dá-se como exemplo ao homem.

A primeira parte do texto sagrado, de Gn 2.3 diz: tb;v’ AbÜ yKiä At+ao vDEÞq;y>w: y[iêybiV.h; ~Ayæ-ta, ‘~yhil{a/ %r<b’Ûy>w: (E abençoou Deus o dia sétimo e santificou (o) visto que nele descansou).

Observe que a atitude de Deus de abençoar, separar, consagrar o dia sétimo está relacionada ao fato de ter Deus descansado. Os outros dias são abençoados? É lógico que sim! Mas o sétimo dia assume caráter diferencial, Existe uma teologia do sábado? Uma teologia do descanso?

O Senhor criou todas as coisas nos outros dias, e sua qualificação para os outros dias foi “que isto era bom”, mas só santificou o sétimo dia. Qual a razão disto? A razão disto é que o sábado é um convite para que toda a criação se alegre em tudo que Deus fez, descansando, desfrutando e adorando o Criador. Com isto, não se quer dizer que nos outros dias o homem não possa adorar a Deus, o homem nos outros dias deve executar as tarefas próprias do mandato cultural, não deixando de se lembrar do espiritual e do social. Mas no sábado, o homem deve parar, deve perceber que tudo girar em torno do Criador, Deus o convida ao deleite, ao descanso.

Wolff, afirma o seguinte sobre a questão do descanso.

Aí temos o termo que dá seu nome ao dia do repouso no Antigo Testamento: tb;v’= parar o trabalho, cessar a atividade. De acordo com isso, deve-se passar o sábado em descanso do trabalho.10

O decálogo faz menção do dia de descanso, e baseia-se na criação. Interessante observarmos aqui o caráter de continuidade, de progressividade da revelação e de sua organicidade, não é dado outro motivo no texto. Em Deuteronômio 5. 15 nos é dado o seguinte motivo para a guarda do dia de descanso: Porque te lembrarás que foste servo no Egito e que o Senhor, teu Deus, te tirou dali com mão poderosa e braço estendido; pelo que o Senhor, teu Deus, te ordenou que guardasse o dia de sábado.

Mudou o motivo? Ou a ideia de descanso, também envolve a ideia de libertação?

Cremos que a ideia do descanso também envolve a ideia de libertação, este conceito é bem patente numa teologia bíblica libertária, o povo devia guardar o dia de descanso, pois como eles foram escravos no Egito e eram explorados, eles deviam guardar a dia do descanso como memorial libertário do Senhor e é esta perspectiva que Moisés fala em deuteronômio aos filhos de Israel que iriam entrar na terra prometida aos seus pais.

O Senhor não criou nenhuma criatura para a exploração, para o cativeiro, e sim para a libertação. O texto de Romanos 8. 20-21 fala da esperança da libertação da criação. O sábado aponta para algo maior. Aponta para a libertação. Destarte, os cristãos primitivos compreenderam bem este caráter libertário do sábado, quando perceberam que o seu dia de descanso, seria o primeiro dia da semana, pois lembrava a libertação promovida pelo Senhor Jesus.

O DIT faz o seguinte comentário:

Parece que os cristãos estavam certos ao associar o dia de descanso com a lembrança da ressurreição de Cristo. É Ele quem dá liberdade. Na verdade, nessa questão não há nenhum conflito real entre Deuteronômio e Êxodo. Enquanto Deuteronômio tem em vista o povo da aliança, os versículos de Êxodo dão ênfase ao Deus da aliança11

O sábado assume um caráter humanitário em relação às criaturas, que neste tempo sofrem as consequências do pecado do vice-gerente da criação, Adão. E neste caráter humanitário os animais param de trabalhar, param de servir ao homem, que muitas vezes pagam o trabalho dos animais com maus tratos. Seis dias farás a tua obra, mas, ao sétimo dia, descansarás; para que descanse o teu boi e o teu jumento Ex 23.12 (parte “a” do verso).

O sábado possui também um caráter escatológico na Pessoa bendita do Senhor Jesus, Ele é o nosso sábado, Ele é o nosso descanso, Ele é a certeza de que tudo será diferente. Neste sentido vemos a ligação íntima de Apocalipse 22 com Gênesis 1-2. É a volta ao Parque das Delícias, é o gozo completo, sem exploração, sem violência, sem choro, sem Mamom e seus súditos. Onde veremos os aspectos do Reinado de Deus manifestos na Terra. Uma terra que as Escrituras descrevem como uma Terra restaurada com videiras, animais em perfeita harmonia. Isto é a ideia de descanso que as Escrituras nos ensinam, é de fato a Terra Prometida e Restaurada, desejada por todos os santos tanto do Antigo quanto do Novo Testamento.

CONCLUSÕES

As Escrituras nos fornecem informações para tratarmos e vivermos numa intensidade saudável a nossa sexualidade. A junção sexual tem como expressão máxima a geração de um terceiro, como fora dito: EU + TU: NÓS. E este “Nós” tem dentro de si a potencialidade de torna-se um EU ativo e apto para quando encontrar um TU que já é fruto de outro NÓS e desta forma, um novo EU + um novo TU formará outro NÒS e desta forma a espécie humana povoa a terra que o Senhor Deus criou.

As Escrituras também nos fornecem informações a respeito do trabalho e do descanso. O homem deve desempenhar seu trabalho dentro de uma cosmovisão que ele não se torne escravo do trabalho. O trabalhador é digno tanto de seu salário que corresponda as suas necessidades, quanto a um descanso digno. Não só ao homem é facultado este descanso, observe que no Texto Sagrado o descanso também é ofertado a todas as demais criaturas vivas, as quais o homem se serve para executar seu trabalho.

por Rev. Jaziel Campina Cunha

BIBLIOGRAFIA

Bíblia Sagrada. ARA

GRONINGEN, Gerald Van. Criação e Consumação I. São Paulo-SP: Cultura Cristã

HARRIS, Laird R. JR, Gleason L. Archer. WALTKE, Bruce K. Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento. São Paulo-SP: VIDA NOVA, 2005

WOLFF, Hans Walter. Antropologia do Antigo Testamento. São Paulo-SP: HAGNOS, 2008

ZILLES, Urbano. Antropologia Teológica. São Paulo-SP: PAULUS, 2011

  1. GRONINGEN, Gerald Van. Criação e Consumação. São Paulo-SP: Cultura Cristã, p. 77
  2. ZILLES, Urbano. Antropologia Teológica. São Paulo-SP: PAULUS, 2011, p. 166
  3. GRONINGEN, op. cit. p. 85
  4. ZILLES, op. cit. p. 199
  5. WOLFF, Hans Walter. Antropologia do Antigo Testamento. São Paulo-SP: HAGNOS, 2008. p. 209
  6. HARRIS, Laird R. JR, Gleason L. Archer. WALTKE, Bruce K. Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento. São Paulo-SP: VIDA NOVA, 2005 p. 1587
  7. Id. Ibid., p. 1588
  8. WOLFF, op. cit, p. 215
  9. WOLFF, op. cit, p. 210
  10. Id. Ibid.,p. 212
  11. HARRIS, Laird R. JR, Gleason L. Archer. WALTKE, Bruce K, op. cit, p. 1522