500 anos da Reforma Protestante
29 de setembro de 2017

PASTORAL 2017

COLOCANDO A IGREJA EM BOA ORDEM

Reverendo Márcio Willian Chaveiro – Pastoral de 2017

 

Por esta razão, te deixei em Creta, para que pusesses em ordem as

coisas restantes, bem como, em cada cidade, constituísses

presbíteros, conforme te prescrevi:

(Tito 1.5)

Durante esse quadriênio a Igreja Presbiteriana Conservadora do Brasil comemorou 75 anos de sua fundação. É uma história rica, de defesa teológica rigorosamente ortodoxa, como expressa a introdução da nossa Constituição e Ordem. Muitos desafios surgiram desde 1940 que devem provocar em nós reflexões e ações. Alguns desafios são os mesmos que enfrentaram nossos pais em 1940 e nos anos seguintes, que facilmente podem ser observados nas pastorais anteriores, os quais destacamos os seguintes pontos: firmeza teológica e fortalecimento dos púlpitos; unidade da igreja e crescimento numérico através do evangelismo e missão.

Existem fatores culturais e sociais em nossa nação que naturalmente afrontam direta ou indiretamente a nossa posição reformada e conectam-se com esses temas centrais, citados nas pastorais anteriores. As mudanças ocorridas nos últimos anos refletem mudanças na ética e moral cultural, e tem exercido uma pressão contra a nossa fé reformada e a saúde espiritual e teológica de nossas igrejas. Isso nos tem desafiado a um maior desenvolvimento teológico e contextualização, e naturalmente essa realidade conduz os presbíteros docentes e regentes a uma maior eficácia e percepção da realidade e a uma busca mais intensa por conhecimento bíblico e teológico, para suprir as necessidades do rebanho. Como afirmou sabiamente Francis A. Schaeffer ao falar sobre os desafios que seguiriam no século 21:

“A igreja tem futuro em nossa geração? (…) Creio que corre perigo. Está prestes a passar por maus bocados. Enfrentamos pressões presentes e uma manipulação presente e futura que se tornará tão intensa nos dias por vir a ponto de fazer as batalhas dos últimos 40 anos parecerem brincadeira de criança.” [1]

O desafio que nos cerca é continuarmos firmes teologicamente e relevantes em nosso tempo e crescermos com saúde e não como fruto de um pragmatismo religioso e cultural. Avançarmos em maturidade cristã e reconhecimento de nossas falhas. Para esses e outros desafios, a formação de nossos líderes, mantêm os presbíteros docentes e regentes, é essencial. Sobre essa importância da liderança para a saúde da igreja, Paulo orienta o pastor Tito, e com essas orientações aplicaremos a nossa denominação nesta pastoral.

Um Panorama da Carta de Paulo a Tito

O apóstolo Paulo escreve esta carta para Tito com o propósito de orientá-lo acerca do pastoreio na região de Creta. Existiam nas igrejas daquela região problemas doutrinários que necessitavam de uma liderança firme e teologicamente correta. Muitos insubordinados estavam causando contendas e desvios doutrinários na região, e estes presbíteros que seriam constituídos na igreja precisavam fazer estes insubordinados calarem (1.10-11).

Era necessário também que as igrejas caminhassem dentro de uma harmonia entre as várias faixas etárias: homens idosos, senhoras, jovens recém-casadas e os jovens, além das diferentes classes sociais dentro da igreja, senhores e servos (2.1-10). Tito deveria instruir pastoralmente e tornar-se pessoalmente um padrão de boas obras, integridade no ensino e reverência, com linguagem sadia e irrepreensível (2. 7-8).

Os crentes daquela região da Grécia deveriam ser instruídos também sobre os benefícios gloriosos da graça salvadora de Cristo (2. 11-15). Além serem devidamente orientados como se relacionar com as autoridades, não com rebeldia, mas com obediência, por causa do Senhor (3.1-8). Tinha que ser evitado discussões que conduzissem a facções e contendas na igreja, tais homens facciosos deveriam ser evitados, após a segunda admoestação (3. 8-11). Essa é uma visão geral da carta.[2]

Todavia, o assunto dessa reflexão foca prioritariamente a importância dos presbíteros para a boa ordem da igreja. Paulo diz que Tito precisava constituir líderes qualificados para colocar as igrejas daquela região em boa ordem, e, como veremos, o apostolo apresenta três aspectos que envolve uma igreja em boa ordem: 1) Uma igreja em boa ordem envolve uma liderança piedosa; 2) Uma igreja em boa ordem envolve uma liderança qualificada teologicamente; 3) Uma Igreja em boa ordem envolve uma liderança comprometida com a unidade e crescimento saudável.

  1. Uma Igreja em Boa Ordem envolve uma Liderança Piedosa

O teólogo de Genebra, João Calvino afirmou que: “a piedade é o ponto de partida, o meio e o fim do viver cristão.”[3] A piedade está relacionada a moral, ao caráter do cristão moldado pelo Evangelho de Cristo. Os presbíteros são chamados para serem modelos de piedade e conduta diante do rebanho. A piedade dos líderes em Cristo, moldará a piedade da igreja! O mentoreiado de Cristo ocorre por meio da liderança.

Paulo ordena a Tito, que os líderes que colocariam a igreja em boa ordem não podiam ser escolhidos sem as devidas qualificações morais. Somente homens excelentes poderiam exercer esses ofícios tão importantes para a boa ordem daquelas igrejas.

Uma boa liderança é uma bênção para a igreja, mas uma liderança desqualificada biblicamente pode ser a maior maldição para uma igreja ou para uma denominação. Como enfaticamente afirmou o Dr. Augustus Nicodemus em seu comentário da carta de Tiago, sobre os que desejavam ser mestres, conforme o capítulo 3.1, da referida epístola:

Um dos maiores problemas da Igreja evangélica brasileira é sua liderança. Mais e mais desejam se tornar mestres, e o fazem sem que haja critérios claros e sérios por parte das denominações, que colocam na liderança pessoas absolutamente despreparadas, que não foram treinadas nem provadas quanto a fé, à capacidade e às motivações. Tais mestres ocupam os púlpitos evangélicos e proferem palavras e discursos que envergonham o nome de Cristo diante do mundo; desviam os incautos, confundem os desavisados, emburrecem os crentes e espalham mentiras no meio do povo.[4]

O apóstolo dos gentios diz que deveriam ser homens: irrepreensíveis (1.6); marido de uma só mulher (1.6); pais exemplares (1.6); não arrogantes, nem irascíveis, nem dados ao vinho, nem violentos, nem cobiçoso de torpe ganância (1.7). Mas ao contrário, deveriam ser: hospitaleiros, amigos do bem, sóbrios, justos, piedosos e que tivessem domínio de si (1.8). Em suma: homens excelentes para uma obra excelente! O caráter de um líder fala mais alto que suas palavras.

Paulo quando chamou os presbíteros de Éfeso para o encontra-lo nas praias de Mileto, disse a eles que deveriam cuidar primariamente de si mesmos, para depois pastorear o rebanho de Deus, o qual foi comprado pelo sangue de Deus (At 20.28) Na mesma direção, o apóstolo Pedro disse que os presbíteros devem pastorear o rebanho não por constrangimento, mas espontaneamente como Deus quer, nem por sórdida ganância, mas de boa vontade, não como dominadores, porém sendo modelo para o rebanho, até que o Supremo Pastor, Cristo, se manifestar (1Pe 5.1-4). A responsabilidade dos líderes diante de Deus deve ser causa de temor e tremor!

O caráter irrepreensível, a piedade, o temor e a seriedade, são aspectos indispensáveis para o presbítero docente e regente, sem qualquer distinção nesses aspectos, com relação a função de cada um. Os presbíteros conservadores, docentes e regentes, devem esmerar-se em ensinar suas igrejas a ser progressivamente mais exigente na escolha de futuros líderes que eventualmente os substituirão na condução da igreja local. Nossos presbitérios precisam cada vez mais exigir de seus candidatos ao ministério caráter e habilidades que corresponda a seriedade que o ministério pastoral exige!

Que o Senhor livre a nossa denominação da possibilidade de termos no futuro pastores como os descritos pelo Reverendo Hernandes Dias Lopes, em seu livro “De: Pastor A: Pastor”:

Há pastores que dormem muito, trabalham pouco e querem todas as recompensas. Estão atrás dos bônus, mas não querem o ônus. Querem os lauréis, jamais a fadiga. Querem as vantagens, jamais o sacrifício. É triste perceber que muitos pastores não suam a camisa, não arregaçam as mangas, não trabalham a ponto da exaustão. São obreiros relaxados, pastores de si mesmos, que apascentam a si mesmos, em vez de pastorear o rebanho. Estão atrás de facilidades e de vantagens pessoais, sem jamais investir a vida na vida das ovelhas.[5]

 

  1. Uma Igreja em Boa Ordem envolve uma Liderança Qualificada Teologicamente

Apegado à palavra fiel, que é segundo a doutrina, de modo que tenha poder tanto para exortar pelo reto ensino como para convencer os que o contradizem.

(1.9)

O apóstolo Paulo diz a Tito que esses líderes que colocariam as igrejas em boa ordem deveriam ser homens apegados a Palavra fiel e moldados por ela em seus ministérios. O caráter aperfeiçoado pela Palavra revelaria um apego a Palavra fiel, ao ponto de terem condições de exortar os que contradissessem pelo reto caminho (1.9).

Somente com um conhecimento profundo das Escrituras por parte da liderança e sua transmissão no poder do Espírito Santo a igreja, que poderemos suportar todos os ataques da presente era.  A Pastoral de  1994 diz: “… é pois, nosso dever e, por que não dizer, grande privilégio, como ramo fiel da igreja de Cristo, nos aprofundarmos nos estudos da Palavra de Deus, proclamar e sustentar suas doutrinas diante dos ensinos errôneos que venham a Ela se contrapor.” Mais adiante ela reafirma e amplia esse aspecto:

O conhecimento das doutrinas da Palavra de Deus, e sua prática, é o meio pelo qual haveremos de permanecer coesos em nosso objetivo de servir à causa de Cristo. Mas, para isso é necessário que os ministros, que são os responsáveis pelo ensino da Palavra de Deus nas igrejas, sejam homens devidamente preparados, e que tenham sempre esmerado zelo no preparo de seus sermões, para esses sejam verdadeiros veículos das sublimes verdades da Palavra de Deus.

O Reverendo Hernandes sobre a problemática causada por um líder em crise: “…Quando os líderes estão em crise, a igreja também fica em crise. A igreja reflete os seus líderes. Não existem líderes neutros. Eles são uma bênção ou um problema.” [6]

Temos que desenvolver uma profunda e diária busca pela verdadeira piedade, que envolve meditação nas Escrituras e vida de oração. Como bem está exposto na Pastoral de 1968, como segue:

Importa, para que um real cuidado se exerça sobre nossa vida íntima, que permaneçamos em constante comunhão com Deus. Essa comunhão será o resultado da leitura cuidadosa e cotidiana das Escrituras Sagradas, da meditação sobre o seu ensino, e de nossa entrega irrestrita à operação do Espírito Santo por meio de constantes ações de graça, confissões e súplicas. Somente com as nossas almas enriquecidas de contínuo com as energias provindas da obra santificadora do Espírito Divino é que poderemos estar preparados para enfrentar e vencer os assaltos do Adversário aos nossos corações…

Outro ponto prático que precisamos mencionar é a importância da nossa casa de Profetas. Necessitamos de progressivamente aperfeiçoar e investir em nosso Seminário, de onde saem nossos futuros pastores. A saúde teológica desta instituição norteia toda a denominação. Contudo, se os que ali se formam não honrarem seus compromissos feitos na cerimônia de formatura de prosseguir no estudo da Palavra e depositar todo o conhecimento aos pés de Cristo, não teremos nenhum ganho para as igrejas locais e consequentemente para a denominação, mesmo o Seminário cumprindo o seu papel na formação teológica.

Com maiores desafios culturais e ideológicos, do que no passado recente, a preparação de novos obreiros com progressiva profundidade teológica é de fundamental importância para a boa ordem da denominação. Como está na Pastoral de 1965: “…O nosso Seminário, mantido pela graça divina, atuando nos corações crentes, será como torrentes cristalinas, que constantemente dará os obreiros prontos para a luta todos os anos…”

Na carta a Timóteo, Paulo nos ajuda a entender que dentre os presbíteros, existem aqueles que são chamados para presidir e se afadigar no ensino da Palavra (1Tm 5.17), o que em nosso sistema presbiteriano chamamos de presbíteros docentes, que servem a de tempo integral. E existem aqueles que são chamados para reger ou supervisionar a igreja, que são os presbíteros regentes, eleitos pela igreja para a representar no conselho e presbitérios. Quando Paulo fala que os presbíteros docentes, que são os ministros, são aqueles que se afadigam no ensino, Hendriksen comenta que se percebe claramente que inicia uma distinção dentro do presbiterato, para mostrar que todos devem ensinar, mas existem aqueles que se afadigam no ensino, e essa tarefa exige a dedicação de muito tempo e esforço: pregar, ensinar e preparar-se para isso.[7]

O ensino na igreja é exigido mais do pastor e compartilhada a responsabilidade com as devidas proporções com os presbíteros. O ministro é formado em nosso Seminário, avaliado pelo Presbitério teologicamente e ordenado após todo esse processo, para que no âmbito do seu serviço, ofereça a igreja o melhor que suas condições intelectuais rendidas aos pés de Cristo podem dar. Todo pastor conservador leu diante de Deus e da igreja um voto que o compromete a honrar durante o seu ministério:

“Ao receber das mãos da Congregação do Seminário Presbiteriano Conservador o diploma que me habilita a candidatar-me ao santo ministério, comprometo-me a ser um servo fiel da Palavra de Deus e a prosseguir nos estudos da mesma e nos estudos teológicos e a depor aos pés de Jesus Cristo, meu Deus e meu Salvador, e ao serviço da Sua igreja todas as conquistas do saber que me forem concedidas pela munificência divina.”[8]

Mas não pensemos que os presbíteros regentes não sejam exigidos deles conhecimento e estudo teológico! Os presbíteros regentes devem ser aptos para ensinar, amantes das Escrituras e da teologia reformada, zelosos do bom andamento teológico da igreja. A fim de compartilharem com o pastor a liderança da igreja e a colocar em boa ordem, pelo reto ensino. Os presbíteros são pastores da igreja e devem postar-se como esse oficio exige deles, tendo um conhecimento teológico reconhecido pela igreja local e uma postura exemplar. É isso que Paulo ordena a Tito ao constituir presbíteros nas igrejas da ilha de Creta.

Como foi colocado na última pastoral, em 2013: “A grande necessidade da igreja nestes dias é a de um púlpito forte com mensagens bíblicas que provoquem quebrantamento, confissão de pecados e devoção ao nosso Deus. Isso abrirá as portas para um aviamento que mudará a vida da igreja e do país...”.[9] Esse continua sendo o nosso maior desafio.

O que tudo isso revela é a sublimidade da pregação da Palavra para a igreja, que promove o seu amadurecimento na fé e crescimento saudável. A pregação da Escritura é tão sublime que Charles Spurgeon dizia para os seus alunos no Seminário que mesmo que fossem chamados para serem embaixadores da Inglaterra, não deveriam se rebaixar, pois o posto que ocupavam como ministros os colocavam como embaixadores do Rei dos reis e Senhor dos senhores![10] Essa consciência da grandeza e do privilégio de pregar a Palavra deve reger todo presbítero, docente e regente, que verdadeiramente foi chamado por Deus para pastorear o seu rebanho!

Não podemos pensar que toda responsabilidade pela firmeza teológica da igreja seja da liderança. Sobre ela pesa maior responsabilidade, mas não toda. Todo cristão deve ser conservador porque toda a igreja é chamada por Deus a preservar sua revelação, e a “guardar o que foi confiado”, a “batalhar pela fé que uma vez por todas foi entregue aos santos” (1Tm 6.20; 2Tm 1.14; Jd 3). A missão da igreja não é apenas impedir a criação de novos evangelhos, novas heresias e teologias, novas leis morais ou novos cristianianismos, mas sobretudo é chamada para ser guardiã fiel do único evangelho eterno.[11]

  1. Uma Igreja em Boa Ordem envolve uma Liderança comprometida com a Unidade e Crescimento Saudável

Torna-te, pessoalmente, padrão de boas obras…

(2.7)

Uma igreja que deseja crescimento saudável, precisa treinar aqueles que se sentem chamados para serem pregadores da Palavra. Para que no exercício de seus dons possam desempenhar da melhor forma possível na edificação da igreja e para a glória de Deus. Foi isso que Paulo ensinou ao escrever a igreja em Éfeso (Ef 4. 7-16), que o pastor deve ensinar os santos para que desempenhem bem o seu serviço e edificação do corpo, até que cheguemos a unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus.

O Reverendo João Alves dos Santos em seu livro “A Questão Doutrinária” nos exorta a manter uma unidade fundamentada em uma posição doutrinária ortodoxa em Cristo:

Devemos buscar a paz e a unidade, mas não a custo da verdade. Afirmar uma posição doutrinária sem exigir o seu cumprimento não é suficiente para a ortodoxia da Igreja de Cristo.  A paz e a unidade se mantêm com doutrina bíblica e constante vigilância. São lições que podemos aprender da história, para não repetir os seus erros.[12]

Paulo orienta Tito a falar como convém a sã doutrina e pastorear adequadamente cada classe e faixa etária da igreja. O que se destaca nesse ponto é que o mentoreado é aplicado claramente. Tito deveria pastorear de tal forma que os homens idosos servissem de exemplo para os jovens e também o próprio Tito (2.2,7-8); as mulheres idosas instruindo as recém-casadas, para serem boas esposas e donas de casa (2. 3-5); e os servos orientados pastoralmente a não agirem desrepeitosamente com seus senhores (2.9-10).

O conselho de uma igreja deve cuidar para que todas as esferas dela se relacionam e cresçam conforme a mente de Cristo revelada em sua Palavra. Para tanto, é necessário que a mente da liderança reflita claramente o pastoreio do Supremo Pastor! Essa ação promove aperfeiçoamento na unidade da igreja (Ef 4. 1-16).

O crescimento da igreja sempre foi um dos pontos de maior anseio e angustia da nossa denominação. Pensa-se muito em programas promovidos pelos concílios superiores como sendo a solução. Qualquer método que contrariar o ensino bíblico, deverá ser rejeitado, pois o Espírito Santo não o usará para salvar o pecador.[13]

Os concílios devem orientar de forma geral os rumos para esse crescimento esperado, porém não se deve imaginar que algum concilio substituirá a responsabilidade de cada igreja local. Cada conselho é responsável pela obediência a ordem de pregar o Evangelho em sua igreja, e cada membro responde por sua obediência a ordem do Senhor, isso é intransferível! Ainda que os concílios superiores não apresentem nada nessa área, isso não impediria a cada igreja local de cumprir sua obrigação com o Senhor da seara!

O Reverendo Sebastião Machado Arruda em seu artigo intitulado “Evangelização: o Verdadeiro meio para o Crescimento da Igreja”, faz perguntas provocativas para a nossa reflexão, que devem ser aqui repetidas:

“A grande pergunta é: O que os crentes dos nossos dias vão esperar? Será que eles vão esperar por dias em que o trabalho de evangelização não tenha obstáculos? Será que vão esperar por dias em que os pecadores venham sedentos à procura do Evangelho da salvação? Será que vão esperar por um período em que seja fácil pregar o Evangelho de Jesus Cristo? Ou será que existe outro método para o crescimento da igreja?…” [14]

Como denominação precisamos reestruturar o Departamento Missionário, para que este expanda e organize com maior eficácia e em menor tempo, pontos de pregação em congregações e congregações em igrejas. Promover mais aperfeiçoamento missionário aos pastores que estão no campo missionário. Contudo, de forma bíblica todo pastor está no campo missionário, sua igreja é um campo missionário, e isso deve ser o alvo de todo conselho.

Portanto, a questão que deve ser propósito da nossa indagação é se temos ou não pregado o Evangelho? Se temos ou não obedecido a esse mandamento?  Se temos ou não aproveitado todas as oportunidades de anunciar ousadamente a Palavra de Deus? Se não, o que devemos fazer? Temos que orar pedindo perdão e demonstrar o nosso arrependimento através da obediência!

As estatísticas dos nossos concílios, quando feitas, revelam o pequeníssimo crescimento e uma quantidade enorme de pessoas que saíram. Logo, não se trata apenas de aumentar os números, mas de manter os que entram. Se saem muitos é um forte sintoma de que algo está muito errado na condução de muitas de nossas igrejas, logo, precisam ser colocadas em boa ordem por suas lideranças locais.

As pastorais anteriores unanimemente falam sobre a missão evangelística e exortam a obedecer a ordem do Senhor. Logo, não podemos utilizar qualquer justificativa para o nosso fracasso, mas o nosso fracasso deve ser o nosso pedagogo e não o nosso coveiro.[15] Temos que aprender com os erros, mas para isso é preciso humildade para esse reconhecimento diante do Senhor, a começar naturalmente pela liderança e se espalhando pelos liderados!

Considerações Finais

Vivemos dias de desafios e oportunidades. Desafios, devido as mudanças profundas na cultura que cercam nossas igrejas. Oportunidades, porque muitos estão cansados da apostasia da igreja evangélica e tem buscado conhecer a Teologia Reformada. Logo, devemos aproveitar esse momento, como fizeram os reformadores e anunciar a sã doutrina com maior profundidade e ousadia. Todavia, essas pessoas que saem das igrejas pentecostais e neopentecostais buscam púlpitos reformados e chegou o grande momento para que a nossa denominação apareça no cenário brasileiro para figurar entre as referências reformadas em nossa nação.

Sabiamente a Pastoral de 1997 nos alertou sobre a correta interpretação da amplitude de batalhar pela fé na carta de Judas: “Se por vários anos de nossa batalha concentramos nossos esforços no cumprimento da primeira parte da carta de Judas, firmando as estacas e doutrinando a Igreja, é tempo agora de darmos ênfase no final da carta e batalharmos na abençoada tarefa de salvar almas para Cristo.” Nessa carta, salvar as almas para Cristo é tirar muitos das mãos dos falsos mestres: salvai-os, arrebentando-os do fogo… (Jd 23).

Como poderemos arrebatar esses do fogo, se não fortalecermos os púlpitos? Se não aperfeiçoarmos os presbíteros docentes e regentes? Se não aperfeiçoarmos o Seminário? Obviamente essa não é a realidade de todas as nossas igrejas e líderes. Mas precisamos reconhecer nossos erros diante do Senhor, e  publicamente confessar nossas falhas no ensino, vida e prática da igreja. E essa postura exige uma resposta, que não pode ser outra a não ser um profundo arrependimento em nossa igreja, começando nos líderes, como fez Daniel (Dn 9. 7):  “A ti, ó Senhor, pertence a justiça, mas a nós, o corar de vergonha, como hoje se vê…”

É necessário que os lideres conservadores assumam para si cada vez mais a responsabilidade pela realidade da igreja. Quem Deus chamou para pastorear as igrejas locais e a denominação, são os presbíteros, docentes e regentes. A IPCB só crescerá saudavelmente e sobreviverá aos desafios futuros, na medida que sua liderança se desenvolver e amadurecer em conformidade com as exigências bíblicas, guardadas as exceções. Cabe a cada membro orar por seu pastor e presbítero, para que sejam cada vez mais usados e ousados na proclamação da Palavra.

Cabe a Assembleia Geral da IPCB fortalecer e aperfeiçoar suas instituições, com destaque a nossa casa de Profetas, de onde saem os futuros pastores.  É da responsabilidade dos Presbitérios o zelo e maior exigência de seus candidatos ao ministério, para que seus campos sejam devidamente supridos por homens chamados por Deus. É da responsabilidade de cada membro de igreja orar, avaliar bem cada candidato ao presbiterato, para que mais homens piedosos, zelosos e amantes da Palavra fiel, sejam constituídas como líderes.

Concluiremos essa pastoral com a firme esperança da manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Jesus Cristo, como Paulo afirma nessa carta a Tito (2. 13-140): “o qual a si mesmo se deu por nós, a fim de remir-nos de toda a iniquidade e purificar, para si mesmo, um povo exclusivamente seu, zeloso de boas obras.”  Que a nossa amada denominação se torne progressivamente uma igreja zelosa de boas obras, para a glória de Cristo e para a nossa alegria!

[1] SCHAEFFER, Francis A. Schaeffer, A Igreja no Século 21 –  Cultura Cristã, 2010

[2] CARSON & MORRIS,  D. A…& Leon, Introdução ao Novo Testamento, Vida Nova, 1997, p. pp. 422-423

[3] BEEKE, Joel R. Beeke, Vivendo para a Glória de Deus, FIEL, 2012, p. 202

[4] LOPES, Augustus Nicodemus, Tiago, Cultura Cristã, 2006, p. 97

[5] LOPES, Hernandes Dias Lopes, De: Pastor A: Pastor, HAGNOS, 2010, p.17

[6] LOPES, Hernandes Dias Lopes,  2010, p.65

[7] HENDRIKSEN, William, 1 Timóteo, 2 Timóteo e Tito, Cultura Cristã, 2001, p. 225

[8] Pastoral de 2000, escrita pelo Reverendo Welerson Alves Duarte

[9] http://www.ipcb.org.br/index/pastoral-2013/

[10] LOPES, Hernandes, De: pastor A: Pastor, VOX LITTERIS, 2008, pp. 7-8

[11] STOTT, John,  Cristianismo Equilibrado, Ultimato, 2017,  p. 24

[12] SANTOS, João Alves, A Questão Doutrinária, LPC, 2011, p. 79

[13] http://www.ipcb.org.br/index/pastoral-1980/

[14] http://www.ipcb.org.br/index/evangelizacao-o-verdadeiro-meio-para-o-crescimento-da-igreja/

[15] LOPES, Hernandes,  2008, p.22