PASTORAL 1983
28 de junho de 2017
PASTORAL 1997
28 de junho de 2017

PASTORAL 1994

Rev. Luiz Antônio Gomes da Silva

 

“… Antes santificai a Cristo, como Senhor em vossos corações; e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós; Tendo uma boa consciência, para que, naquilo em que, falam mal de vós como de malfeitores, fiquem confundidos os que blasfemam do vosso bom porte em Cristo.” (1Pe 3.15,16).

 

Amados irmãos,

Temos no presente texto da Palavra de Deus, a exortação do apóstolo Pedro, quanto à necessidade de buscarmos a nossa santificação, para que estejamos devidamente preparados para respondermos, com toda a segurança, aos nossos inquiridores, a respeito da fé que anunciamos em Cristo, a qual é a razão da esperança que há em nós.

Jamais poderemos enfrentar, vitoriosamente, nossos adversários, se formos merecedores de castigo. O nosso bom procedimento em Cristo haverá de ser sempre a nossa arma mais poderosa contra os nossos opositores. Somente poderemos falar sobre a nossa esperança cristã, com a mais absoluta certeza, se formos possuidores de uma boa consciência para com Deus, como resultado de uma vida caracterizada pelo nosso bom procedimento, ou bom porte em Cristo.

São passados cincoenta e quatro anos desde a fundação da nossa amada Igreja Presbiteriana Conservadora do Brasil. Pela graça e misericórdia de Deus, não obstante as dificuldades enfrentadas, a Igreja Presbiteriana Conservadora, caracterizada por rigorosa ortodoxia e eminente posição bíblica, tem se empenhado para manter seu bom porte como ramo fiel da igreja de nosso Senhor Jesus Cristo. Por vezes, os obstáculos se apresentam de forma aparentemente intransponível, mas até aqui, Deus no tem dado as condições para vencê-los. Portanto, defendendo a pureza do ensino das Sagradas Escrituras, e declarando a sua fidelidade aos nossos símbolos doutrinais, conforme a Confissão de Fé e os Catecismos de Westminster, a Igreja Presbiteriana Conservadora mantém hasteada a Bandeira do Presbiterianismo, cuja missão é pregar fielmente, o Evangelho da Salvação em Cristo Jesus.

Lemos no Manifesto da Igreja Presbiteriana Conservadora de São Paulo, às Igrejas Evangélicas do Brasil o seguinte: “… nossa aspiração limita-se a encontrar para nós, um lugar em que possamos ser úteis à causa de Cristo no Brasil. Sem sacrifício de nossa tranqüilidade espiritual e sem transigir quanto aos princípios que norteiam nossa posição doutrinária…”.

Pois bem irmãos, verdadeiramente, Deus tem atendido à aspiração de nossos pais, concedendo à nossa igreja, o privilégio de ter um lugar em nossa Pátria, para servir à causa de Cristo, preservando-a fiel na pregação do Evangelho. Contudo, estejamos certos de que tão grande quanto o privilégio que Deus nos tem concedido, é a nossa responsabilidade em correspondê-lo. Temos feito jus ao lugar que Deus nos tem confiado, na realização da Sua obra? Temos sido caracterizados pelo bom procedimento em Cristo? Tendo em vista estas duas questões, quero chamar a atenção dos irmãos para os seguintes aspectos:

 

A IMPORTÂNCIA QUE TEMOS DADO AO ENSINO DA PALAVRA DE DEUS

O conhecimento da Palavra de Deus é fator indispensável, para a nossa missão precípua de proclamar ao mundo a verdadeira mensagem de salvação em Cristo. Especialmente, quando consideramos o espírito do anti-intelectualismo, muito em voga em nossos dias, o qual faz da experiência o seu principal critério da verdade, relegando ao descaso, e como algo sem qualquer importância, o estudo da Palavra de Deus. Em um contexto como este em que estamos vivendo, é pois, nosso dever e, por que não dizer, grande privilégio, como ramo fiel da igreja de Cristo, nos aprofundarmos nos estudos da Palavra de Deus, proclamar e sustentar suas doutrinas diante dos ensinos errôneos que venham a Ela se contrapor.

O Seminário Presbiteriano Conservador, sobre cujos ombros pesa a grande responsabilidade de preparar nossos ministros, é uma prova evidente do grau de importância que a Igreja Presbiteriana Conservadora do Brasil tem dado ao estudo da Palavra de Deus. O nosso seminário tem se empenhado o máximo na realização de sua tão nobre tarefa, visando entregar à igreja ministros fiéis, devidamente preparados para ensinar a Palavra de Deus, tendo em vista a edificação do Corpo de Cristo. É oportuno dizer ainda, nesse contexto, que alguns dos nossos ministros, especialmente aqueles que estão mais diretamente ligados ao ensino em nosso Seminário, tem procurado um melhor preparo, afim de poderem servir de forma mais eficiente a esta causa.

Meus irmãos, o nosso Seminário precisa ser objeto do nosso interesse, das nossas fervorosas orações, para que o Espírito Santo continue a despertar vocações, e para que o Senhor nosso Deus sustente a nossa querida casa de profetas, preservando-a fiel aos princípios estabelecidos em Sua Santa Palavra. Por outro lado, é da responsabilidade dos ministros despertar em suas igrejas maior interesse pelo nosso ministério. É verdade inquestionável, que o Senhor é quem chama os trabalhadores para a Sua seara, mas a outra verdade tão inquestionável quanto esta, é a que Ele o faz pela instrumentalidade de seus servos, os ministros, aos quais compete trabalhar com as crianças e os jovens, afim de despertar neles a vocação ministerial. Todos aqueles que têm o grande privilégio de servir à causa do Senhor como ministros hoje, são, na verdade, frutos desse trabalho junto às igrejas.

O conhecimento das doutrinas da Palavra de Deus, e sua prática, é o meio pelo qual haveremos de permanecer coesos em nosso objetivo de servir à causa de Cristo. Mas, para isso é necessário que os ministros, que são os responsáveis pelo ensino da Palavra de Deus nas igrejas, sejam homens devidamente preparados, e que tenham sempre esmerado zelo no preparo de seus sermões, para esses sejam verdadeiros veículos das sublimes verdades da Palavra de Deus.

 

 

            NOSSA ÊNFASE EVANGELÍSTICA

A principal tarefa da igreja neste mundo é pregar o Evangelho. “o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê”, e isso a tempo e fora de tempo. Porque ela é o agente a quem Deus designou para a obra da evangelização. Portanto, como igreja de Cristo, não podemos ficar esperando que os pecadores sem Cristo neste mundo, cegos pelo deus deste século, mortos em seus delitos e pecados, venham até nós, para então podermos lhes falar a respeito da salvação em Cristo. Temos o dever de ir semear a boa semente, viva e poderosa, em todos os lugares, pelos valados, campinas e desertos enquanto é tempo, enquanto é dia.

A Igreja Presbiteriana Conservadora do Brasil, como ramo fiel da igreja de Cristo, foi levantada em nossa Pátria com a finalidade precípua de pregar o Evangelho em sua pureza e integridade. “Anunciar todo conselho de Deus.” Assim sendo, queremos que a nossa posição, no seio do evangelismo nacional se caracterize com a finalidade para a qual existimos.

Com certa freqüência, temos ouvido pastores e outros líderes da nossa igreja, fazerem a seguinte indagação: “o que precisamos fazer para que a nossa igreja cresça?” A esse respeito, precisamos fazer uma ressalva da maior importância. Quando nos rendemos a essa compulsão e a esse desejo de ver a nossa igreja crescer, somos levados a encarar esse nosso desejo, que sem sombra de dúvida, é muito nobre, como sendo a causa maior pela qual devemos evangelizar. Contudo, o crescimento da igreja, da salvação dos pecadores, e outros motivos que são apresentados, tais como a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, a melhoria social ou o bem estar dos homens, embora sejam apresentados como fortes motivos para evangelizarmos, são, na verdade, apenas meios para um fim mais elevado ainda, a glória do Senhor nosso Deus. Portanto, o motivo maior da evangelização tem que ser o amor ao nosso Deus, o desejo de obedecê-Lo tendo em vista a glória do Seu nome.

Amados irmãos, se o nosso amor a Deus e o desejo de obedecê-Lo não nos compelir à obra da evangelização, nada mais o fará. E qualquer outro motivo que nos leve a evangelizar, que vise a glória de Deus em primeiro lugar, certamente estará fora do propósito principal da evangelização.

Com respeito à indagação à qual nos referimos, cremos que, embora se procure uma explicação técnica ou até mesmo científica para a questão, a resposta na verdade é muito simples. Para que as igrejas cresçam é preciso trabalho, muito trabalho. Se nos empenharmos para cumprirmos o propósito principal da evangelização, como já apresentamos acima, conseqüentemente teremos o crescimento das nossas igrejas, mas isso somente será possível com muito trabalho. Não significa que não temos trabalhado, mas sim, que temos que fazer mais do que temos feito até aqui. Precisamos dar uma ênfase maior no que diz respeito à evangelização, considerando a nossa verdadeira posição.

Quando falamos sobre a necessidade de uma ênfase maior, não estamos nos referindo apenas às mensagens evangelísticas, que devem ser constantemente apresentadas em nossos púlpitos, mas queremos falar também da necessidade de motivarmos as nossas igrejas para a evangelização preparando-as para essa sublime tarefa. Queremos dizer ainda, com essa afirmação, sobre a necessidade de abrirmos novas frentes de trabalho, como foi feito, com um empenho maior, no início de nossa igreja, haja visto todas as igrejas da grande São Paulo, frutos desse trabalho nos primeiros anos da nossa igreja. Uma época em que tínhamos um número reduzidíssimo de ministros, mas uma época em que a igreja era mais motivada à evangelização. Nossas condições hoje são, inquestionavelmente, muitos maiores, porque temos maior número de ministros, praticamente um para cada igreja, e conseqüentemente maior número de igrejas e membros. É preciso, portanto, que todos nós, ministros e igrejas, nos empenhemos ainda mais, para cumprirmos fielmente o propósito maior para o qual existimos, que é anunciar ao mundo o Evangelho da Salvação em Cristo, tendo em vista a glória do Senhor nosso Deus.

 

NOSSA OBRA MISSIONÁRIA

O Senhor Jesus Cristo, encerrando o Seu ministério terreno e, ao despedir-se dos seus apóstolos, ordenou-lhes: “ide, ensinai todas as nações”. Esta ordem dada pelo Senhor Jesus à Sua igreja representada pelos apóstolos, foi dada não somente para aquela ocasião, mas para a igreja de todos os tempos e em todos os lugares.

O dever de ensinar ou antes, de evangelizar, é dos índices mais seguros da vitalidade de uma igreja. A igreja que pensa e realiza a obra missionária, é uma igreja que vive e prospera em número e espiritualidade. É movimentada, dinâmica e gloriosa no serviço do Mestre, pois cuidando do ensino, isto é, da pregação das verdades fundamentais do Evangelho do Senhor Jesus Cristo, estará cumprindo o seu papel como agente de Deus para a proclamação do Seu reino neste mundo.

Não podemos mesmo conceber a existência de uma igreja, digna do nome de igreja de Cristo, que não tenha o espírito e a ação missionária. A igreja que não realiza a sua parte na obra missionária e que não se preocupa com o evangelismo, estará perdendo de vista a razão principal da sua existência, porque estará descurando daquilo que deveria ser a sua meta como igreja de Cristo aqui na terra.

Tem sido muito animador para o nosso Departamento Missionário, a maneira como as nossas igrejas, progressivamente, têm se envolvido com a nossa obra missionária. É bem verdade que o nosso trabalho é ainda muito pequeno nessa área, especialmente, quando comparado com o muito que temos a fazer, mas a verdade, também muito animadora, é que o nosso Deus nos tem feito prosperar nesta obra. Isto é uma prova bastante evidente de que o Senhor nosso Deus tem confirmado o nosso trabalho, e precisamos portanto, nos empenhar cada vez mais, participando ativamente de nossa obra missionária, tendo sempre em vista a glória do Senhor nosso Deus, e conseqüentemente a salvação dos pecadores e o crescimento da nossa denominação. Precisamos continuar orando ao Senhor nosso Deus em favor do nosso Departamento Missionário, pedindo pelo sustento desta obra e por novos obreiros.

É propósito do nosso Departamento Missionário, abrir novas frentes de trabalho, em regiões como a Bahia, Triângulo Mineiro, Rondônia e Mato Grosso, por entender que essas são regiões estratégicas, de onde a médio prazo, poderemos formar novos presbitérios, considerando que já existem trabalhos nossos nas mesmas.

Cremos, firmemente, que a expansão do Reino de Deus e, conseqüentemente, a expansão da nossa igreja, é o desejo de todos nós, e por esta razão, apelamos a todos os irmãos conservadores, para que juntos empreendamos maiores esforços na realização desta obra maravilhosa que o Senhor Deus nos tem confiado.

 

NOSSA CONSTITUIÇÃO E ORDEM

As reformas pelas quais a nossa Constituição e Ordem tem passado, tem sido sempre no sentido de reafirmar a nossa teologia e sua prática. Obedecendo sempre os mesmos princípio da Palavra de Deus que deram origem à nossa denominação e sob os quais ela tem sido conduzida durante os seus cincoenta e quatro anos de existência.

No que diz respeito aos aspectos, propriamente administrativos as nossas reformas constitucionais têm tido em vista os seguintes aspectos: a) dar um amparo legal maior às nossas igrejas, junto às leis do país; b) criar condições que propiciem à nossa denominação um ministério cada vez mais sólido e eficiente; c) estabelecer normas seguras, afim de criar melhores condições para ampararmos nossos ministros jubilados, dando-lhes uma jubilação honrosa, pela fiel dedicação à causa do Senhor Jesus Cristo.

Pois bem meus amados irmãos, finalizamos a nossa palavra lembrando-nos que os apóstolos, por nós abordados, devem servir de parâmetros, pelos quais haveremos de avaliar o nosso bom procedimento em Cristo. O nosso maravilhoso Deus, que esteve ao nosso lado e nos sustentou durante esse triênio, que muito nos ensinou, haverá de nos abençoar em todos os nossos propósitos de servir à sua causa. Esforcemo-nos, pois, nesse sentido, procurando sempre fazer o melhor para a glória do nosso Deus.

Que o nosso Deus, assim nos ajude.