PASTORAL 1977
28 de junho de 2017
PASTORAL 1983
28 de junho de 2017

PASTORAL 1980

 

            Amados irmãos em Cristo

 

Pela graça e misericórdia de Deus, a Igreja Presbiteriana Conservadora do Brasil chega aos quarenta anos de existência. Vencendo obstáculos aparentemente intransponíveis, percorrendo estradas perigosas, fincando balizas em pontos os mais diversos em nossa pátria, completará a nossa querida igreja mais um aniversário, no próximo dia 11 de fevereiro, estabilizada e dinâmica em seus propósitos.

Chamamos a atenção de cada presbiteriano conservador para os seguintes pontos:

 

Posição doutrinária

 

A nossa igreja surgiu, pela graça de Deus, em nosso país, caracterizada por rigorosa ortodoxia e eminente posição bíblica, defendendo a pureza da doutrina das Sagradas Escrituras e declarando-se fiel aos símbolos doutrinais do presbiterianismo, consubstanciados na Confissão de Fé e nos catecismos de Westminster. É, portanto, uma igreja rigorosamente presbiteriana, cuja mística é o conservantismo doutrinário, em consonância com o nome que adotou.

A bandeira presbiteriana Conservadora desfraldada pelo grupo fiel de 1940 e hasteada já em cerca de cinco dezenas de trincheiras, tendo, até aqui, tremulado fielmente, e com nobreza, nos céus de nossa terra, deve continuar altaneira, sendo hasteada em outras regiões do Brasil, onde se faz tão necessário o testemunho levantado e mantido com tanto ardor, sacrifício e alegria. Para que o testemunho conservador continue sem arrefecimento, é necessário que todos os membros de nossa igreja, onde quer que estejam, por onde quer que militem, possuam a convicção bíblica de que se constituem em soldados fiéis, defensores ardorosos do estandarte que evidencia a Denominação que o Espírito Santo levantou em tão boa hora.

Somo um ramo legítimo da Igreja de nosso Senhor Jesus Cristo, que brotou para fazer ecoar o brado de guerra e combater o inimigo da Causa de Cristo, venha ele de onde vier. O inimigo sempre tem procurado minar as bases do Cristianismo bíblico e, diante desse fato, a nossa responsabilidade cada vez mais. Não devemos fugir aos nossos deveres, de combater pela fé uma vez dada aos santos, pois isso poderia trazer-nos conseqüências nefastas e entristecedoras.

“Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina.” (1Tm 4.16)

 

Evangelização

 

Tem havido em nossos dias, a apresentação de variados métodos para o trabalho de evangelização. Devemos fazer uso de todos aqueles que têm base na Palavra de Deus. Qualquer método que contrariar o ensino bíblico, deverá ser rejeitado, pois o Espírito Santo não o usará para salvar o pecador. Todos os métodos não devem ser um fim em si mesmos, são apenas instrumentos pelos quais a mensagem salvadora atinge o grande objetivo da evangelização, que é levar almas a Cristo e glorificar a Deus.

Procuremos evangelizar mais e de modo legítimo, à luz do ensino da Bíblia Sagrada. Tenhamos cuidado com o subevangelho tão em voga em nossos dias. Não imitemos a pregação heterodoxa, rejeitemos o “outro evangelho”, o evangelho mancomunado com o mundanismo e a incredulidade. Há um argumento que deve ser rejeitado: de que o Evangelho não é doutrina. O Evangelho bíblico não renúncia a doutrina bíblica, mas dá ênfase a essa doutrina. Esse argumento nada mais é do que uma das artimanhas do arquiinimigo da Igreja de Cristo, que tem procurado impedir a realização dos planos de Deus neste mundo. Oremos constantemente, busquemos a sabedoria do alto, leiamos a Palavra de Deus diariamente, santifiquemo-nos e tornemo-nos instrumentos do Espírito Santo para a evangelização de nossa Pátria. Deus usa, na evangelização, aqueles que crêem na Sua Palavra, que se rendem a Ele incondicionalmente e passam a ser guiados pelo Espírito Santo.

 

Contribuição Financeira

 

Há diversas formas pelas quais os servos de Deus contribuem para a difusão do Reino de Deus neste mundo. Há a participação das reuniões do povo de Deus, há o bom testemunho, há a evangelização nas suas variadas formas bíblicas. Uma, entretanto, é importantíssima e cada presbiteriano Conservador precisa conscientizar-se, à luz do ensino bíblico, de que tem o dever de ajudar a Causa de Cristo, ou seja, são os dízimos e as ofertas alçadas recolhidas entre o povo de Deus. A contribuição através dos dízimos foi o meio pelo qual o povo de Israel sustentava os responsáveis pelo culto de Deus; no passado, foi um dos instrumentos pelo qual o povo de Israel passava a ter compreensão de que tinha deveres para com os assuntos de ordem espiritual. Embora o dízimo e as ofertas alçadas não tenham um fim em si mesmos, soa muito importante na vida cristã, porque são o reflexo da vida espiritual, vivida adequadamente. Um escritor escreveu que o que se deve lamentar, às vezes, no seio da igreja, não é a contribuição inadequada, mas a vida cristã inadequada.

Não se deve fazer do dízimo uma lei, mas cada presbiteriano conservador precisa entender que o dízimo é bíblico, como tantos outros ensinos. A Palavra de Deus ensina-nos que ninguém deve fazer nada por força ou violência, mas através da ação do Espírito Santo. “Não por força nem por violência, mas pelo meu espírito, diz o Senhor dos Exércitos.” (Zc 4.6). Urge que todos os crentes orem muito e façam um exame interior e deixem que o Espírito Santo aplique, na vida, o ensino bíblico sobre o assunto. Se os crentes se tornarem mais crentes na Palavra de Deus, se provarem, sem reservas, as promessas divinas exaradas nos textos bíblicos, destacando-se, neste contexto, Malaquias 3.10 haverão de tomar decisões conscientes, serão movidos pelo Espírito Santo de Deus e tornar-se-ão auxiliares mais efetivos na gloriosa Causa de Cristo, em todo o sentido, destacando-se nos dízimos e ofertas alçadas.

A Igreja não deve buscar meios para a sua manutenção e a de seu ministério senão pela contribuição financeira de seus fiéis e abnegados membros, se quiser ter um testemunho muito brilhante e ser digna de ser chamada Noiva de Cristo. São os salvos, por Cristo, regenerados e santificados pelo Espírito Santo, que sustentam a Igreja de Deus neste mundo.

Concluindo, se a igreja cada vez mais se fortalecer na doutrina, há de se tornar mais santa; há de se tronar mais fortalecida na graça e no conhecimento do Senhor Jesus Cristo; há de se tornar mais evangelizadora e missionária; há de compreender que a contribuição através de dízimos e ofertas alçadas é um privilégio de quem compreende a vontade de Deus e há de realizar um grande trabalho cuja finalidade é glorificar Aquele que nos resgatou com o Seu próprio sangue, enfim, há de cumprir o nosso grande objetivo da sua organização neste mundo.

 

São Paulo, 27 de janeiro de 1980