PASTORAL 1974
28 de junho de 2017
PASTORAL 1980
28 de junho de 2017

PASTORAL – 1977

Rev. Israel Cardoso

 

Amados irmãos da Seara Conservadora

“Graça damos a Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, orando sempre por vós.” (Cl 1.3)

 

Com muita alegria e expectativa chegamos ao final de mais uma etapa em nossa jornada eclesiástica. Com esse estado de ânimo, nossos corações se voltam para a mensagem de Isaías 54.2, como que a fazer um balanço de tudo o que, pela graça de Deus, temos alcançado: “Amplia o lugar da tua tenda, e as cortinas das tuas habitações se estendam: não o impeças; alonga as tuas cordas e firma bem as tuas estacas.”

No dia 11 de fevereiro nossa querida Igreja completa 37 anos de abençoada existência. Muitas foram até aqui as lutas enfrentadas, mas grandes têm sido as vitórias por ela alcançadas. O que temos feito? O que temos deixado de fazer? Gozamos de uma sólida posição doutrinária, comprovada em todos estes anos de trabalho na Seara do Mestre. Em nenhum momento nos esquecemos da exortação do apóstolo Paulo: “Tem cuidado de ti e da doutrina.” (1Tm 4.16). Jamais descuramos da responsabilidade de “batalhar pela fé uma vez dada aos santos” (Jd 3). Temos obreiros fiéis e preparados para a obra. São conquistas inolvidáveis.

A hora é de reflexão. Vale a pena pensar sobre como temos usado nossa posição bíblica e nossos dons na difusão do Evangelho. O importante, no momento, é que reflitamos sobre a missão da Igreja. Sua responsabilidade é ser uma igreja dinâmica. Sua missão precípua é a de anunciar o Evangelho em sua integridade “a tempo e a fora de tempo”, demonstrando verdadeiro amor pelas almas daqueles que necessitam de salvação. Com tal disposição, deve, pois, lançar mão de todos os meios e métodos possíveis, sem se comprometer com quem quer que seja, senão com a Pessoa de Cristo. (Examinai tudo. Retende o bem.” (1Ts 5.21).

A missão da Igreja, embora seja múltipla, pode ser sintetizada em: defesa das eternas doutrinas da Palavra de Deus, objetivando a edificação do Seu povo e a divulgação da mensagem através de Cristo. O que compete a cada presbiteriano conservador é cumprir com a ordem de Cristo, extensiva a todos os Seus discípulos: “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura” e “Ide, ensinai todas as nações” (Mc 16.15; Mt 28.19,20). A ordem deve ser cumprida dentro dos padrões bíblicos, sem interferência de qualquer preconceito.

O profeta Isaías nos conclama: “Amplia o lugar da tua tenda”. Não devemos nos contentar apenas com um pequeno número, mas partir para novas conquistas no campo da evangelização. Dinamismo e ação! A Igreja deve estar cônscia de que o tempo é curto, que o Senhor Jesus não tarda em vir, que estamos neste mundo como forasteiros, mas acima de tudo como embaixadores da parte de Deus. Por essa razão, ela deve crescer e alargar-se em ritmo mais acelerado; não deve continuar indefinidamente como uma pequenina Igreja, embora jamais deixe de ser parte do “pequeno rebanho” referido por Cristo, a quem o Pai prometeu dar o reino.

A missão da Igreja é a de difundir o testemunho do evangelho de Cristo: “e as cortinas das tuas habitações se estendam” – diz o profeta – “não o impeças”. Ao lado da evangelização, ela deve promover a edificação e testemunho. Deve estar sempre empenhada numa obra abençoada e abençoante. Deve ser um instrumento de Deus na manifestação do poder transformador do evangelho. Deve ser a portadora, através de cada um de seus membros, do bálsamo e da unção do Espírito Santo manifestados na Palavra de Deus: um instrumento que indique ao desnorteado viajor qual bússola, um caminho a seguir, uma verdade para crer, uma vida para viver tudo encontrado na Pessoa gloriosa do Senhor Jesus Cristo. Deve ser uma nova e verdadeira esperança a aquecer os corações de todos os que se encontram desesperados pelos caminhos desta vida. A Igreja deve ser uma comunidade aconchegante e acolhedora: onde o pecador tenha um encontro pessoal com Cristo e experimente o Seu poder; onde o pecador sinta a presença de Cristo, num verdadeiro alargamento espiritual; onde o pecador sinta paz e harmonia.

À luz das Escrituras, o dever da Igreja é sempre fazer novas conquistas e estabelecer marcos bem firmes:  “alonga as tuas cordas e finca bem as tuas estacas” – afirma o profeta. No passado, logo após a sua organização, esta Igreja se estendeu por quatro Estados da Federação. Mas, ou por falta de obreiros ou pela mudança dos membros para os grandes centros do país, ou ainda por outros motivos, muitos destes marcos não se firmaram: vários templos ficaram vazios. É tempo de uma nova ofensiva objetivando o estabelecimento de novos marcos e sua fixação de definitiva. Para tanto, a Igreja deve estar imbuída de uma mentalidade missionária: deve estar disposta a fincar estacas além de suas primitivas fronteiras; deve-se lançar corajosamente a trabalhos pioneiros (Bahia, Mato Grosso, Acre, Rondônia e a vizinha nação Paraguaia).

Portanto, como presbiterianos conservadores, devemos permanecer firmes e constantes de nossa missão, para que sejam consolidadas todas as nossas conquistas na obra do Senhor: firmeza doutrinária e espírito missionário. Assim, haverá maior empenho na manutenção da obra em geral: sustento do trabalho local; preparação de obreiros; envio e sustento de obreiros para os mais distantes rincões de nossa pátria. Assim, a Igreja permanecerá firme na consolidação da obra (as estacas devem ser fincadas, firmadas e jamais arrancadas). A obra será consolidada: com as nossas orações: com a dedicação dos obreiros e de toda a Igreja; com as nossas contribuições generosas. E como Igreja de Cristo estaremos cumprindo com mais entusiasmo nossa missão aqui na terra. E a cada dia firmaremos novas estacas, estabelecendo novos marcos na seara do Mestre e em nossas próprias vidas.

 

Jacarézinho, janeiro de 1977.